segunda-feira, 2 de julho de 2018

Inspirações Casa nova #5 - Coffee Station

Neste momento temos picheleiro, eletricista e trolha a trabalhar na nossa nova casa. É uma autêntica confusão. Transformações a cada dia que passa, fios, cimentos, tubos e buracos espalhados nas variadas divisões da casa.
Mas até que é giro fazer isto e ver a cada dia que passa o nosso novo ninho a crescer e a assemalhar-se cada vez mais a uma verdadeira casa.
Até à fase dos acabamentos, muita coisa falta, por isso, até lá, fiquemos com mais umas inspirações para a divisão da cozinha.

Coffee station. Acho a ideia de ter um cantinho exclusivo dedicado ao chá e café tão fofinha, que já idealizei o meu cantinho na minha nova cozinha. Com chávenas à vista, com as máquinas de café e os vários potes com café, cevadas e chás.

Embora eu não perceba nada de estilos decorativos, nem as suas designações, tenho o meu próprio estilo idealizado e é assim uma mistura entre moderno e o antigo, ou vintage, como queiram. Pode ser difícil de explicar, mas no geral acho que funciona. Pelo menos a mim, agrada-me.
A cozinha será de estilo moderno, o cantinho do café será estilo vintage. Inspirei-me numa imagem que vi numa qualquer imobiliária, gostei e parti daí...















quarta-feira, 30 de maio de 2018

Cogumelos recheados com alheira

Ando a gostar imenso de passar tempo na cozinha. Só tenho pena que na maioria das vezes tenha de cozinhar em modo turbo, pois chegar a casa depois das dezanove horas da tarde e conseguir pôr o jantar na mesa a horas decentes nem sempre dá para confecionar aquilo que eu gostaria.  Cá em casa cozinho todos os dias da semana. Estamos habituados a refeições caseiras e preparadas na hora. Se dá trabalho? Dá. Imenso. Todos os dias tenho que pensar o que fazer no dia seguinte. Descongelar carnes ou peixes. Tenho que ter sempre legumes frescos em casa e coisas para fazer saladas.  Se se gasta muito dinheiro? Sim, também. Cada vez invisto mais em comprar bons alimentos. Ovos caseiros, em legumes da senhora aqui perto que tem uma quinta com produtos caseiros, em carnes (coelho, frango e por vezes vaca consigo caseiros de familiares) , em bom peixe e em bons produtos de mercearia. Prefiro focar o meu dinheiro na compra de bens alimentares e poupar noutras coisas como por exemplo os detergentes que sirvo-me sempre das marcas brancas ou aproveito promoções. A vida é feita de escolhas e nós cá em casa temos prazer em comer e beber. À volta da mesa com boa companhia, boa comida e bebida, por vezes ganha-se um novo alento e cura-se a alma.

Ao fim-de-semana quando consigo cozinhar em modo slow, aí sim. Preparo umas entradas, umas comidinhas mais bonitas, enfeito travessas em vez de levar os tachos para a mesa (que apesar de inestético, é o que nos sabe melhor), corto o pão com faca própria às tiras e coloco no cesto com paninho, coloco uma toalha de mesa mais bonita e acendo uma vela, para criar ambiente. Mas tudo muito simples. E se levarem à mesa, uns cogumelos recheados com alheira, podem ter certeza que é sucesso garantido. E já agora, façam sempre a mais porque desaparecem num ápice.

Ingredientes (fiz 10 doses individuais):

- 10 Cogumelos brancos ou escuros (portobello) grandes
- 2 alheiras (usei caseiras de mirandela)
- 1 cebola pequena
- 1 pacote de molho bechamel
- Sal marinho q.b.
- Pimenta preta q.b.
- Salsa picada q.b.
- Queijo da ilha ralado
- Azeite


Preparação:

- Lavar ou limpar os cogumelos para lhe tirar terra e sujidades. Com cuidado para não os partir. Retirar os pés aos cogumelos e reservar.

- Colocar os chapéus dos cogumelos virados para baixo numa assadeira de ir ao forno, temperar com sal e pimenta e regar com um fio de azeite e levar ao forno a 180ºC durante 15 minutos.

- Entretanto, com os pés dos cogumelos, fazer o recheio. Levar à frigideira com um pouco de azeite, os pés dos cogumelos picados e juntar cebola picada. Deixar refogar.

- Juntar depois a alheira já sem pele e partida aos bocados e mexer bem até começar a dourar.

- Retificar temperos e adicionar o molho bechamel e a salsa picada. Misturar bem até obter uma pasta homogénea.

- Quando estiver a ficar dourada, retirar e reservar.

- Retirar os cogumelos do forno e recheá-los com a pasta de alheira.

- Colocar os cogumelos recheados na assadeira e polvilhar com queijo da ilha ralado.

- Levar novamente os cogumelos ao forno a 180ºC até ficarem dourados e o queijo derreter.

- Servir ainda quentes.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Pedaços de mim #6 - O casamento

Dia 24 de Maio de 2008...

...Dizem que dá azar ver a noiva antes do casamento, não é? Não deu, pelo menos até aos dias de hoje. Nós vimos-nos. De manhãzinha. Levamos o teu peugeot azul, que ainda o temos, paramos em frente à Igreja e enfeitamos-los os dois, com fitinhas brancas em tule branco. Queríamos sair nele depois de casados. Queríamos ir apenas os dois naquele carro depois de casados. Embora, nos dissessem que isso não se usava e que devíamos ir no carro do padrinho guiados por ele. Nós não somos tradicionais, nunca fomos e não era nesse dia que íamos ser diferentes. Tu estavas nervoso. Muito nervoso. Mais que eu. Ligaste-me quase na hora de sair de casa e disseste-me que não conseguias sair da casa-de-banho. A sério? Não pode ser. - Toma qualquer coisa e anda daí. Não me deixes pendurada na Igreja. Disse-te. E quando lá cheguei, estavas tu à minha espera. Pelo vidro do carro vi-te a entrar de braço dado com a tua mãe. E depois entrei eu de braço dado com o meu pai em direção ao altar. Não estava nervosa, curioso. Eu, que fico nervosa com tantas coisas e que fico facilmente ruborizada de nervosismo. Não estava. O casamento pela Igreja foi inesquecível e não foram por boas razões. O Padre passou o casamento a falar de divórcio. A prática dele foi sobre o divórcio. Deu-nos imensas achegas sobre o divórcio e por isso o nosso casamento é relembrado até aos dias de hoje pelos nossos familiares por essas razões. Não percebemos nada do que se passou e ficamos chateados na altura. Eu que andei na catequese até ter dezoito anos. O meu pai era catequista. Tu que foste leitor tantos anos e naquele dia, no nosso grande dia, o padre lembrou-se de dissertar sobre aquele tema maravilhoso, imagine-se só, num casamento. Já passou e até parece ter surtido efeito, pelo menos até ao dia de hoje não nos separamos. Até ver. Nunca se sabe o que o futuro nos reserva e eu não sou daquelas que acredita em histórias de amor sem pedras no caminho. O dia continuou alegre e divertido junto dos nossos. Diz quem foi, que foi uma festa muito bonita. Nós acreditamos que sim. Éramos jovens, acabados de entrar na casa dos vinte e toda a gente nos dizia que parecíamos mais velhos por conseguirmos estar a concretizar e a planear as coisas tão certinhas e com tanta cabeça. Mal sabem eles que noutras coisas somos tão destrambelhados, até hoje. A madrugada chegou. A festa acabou. E o verdadeiro significado do casamento acabou de começar. Já lá vão dez anos. Um filho em comum. Que já poderiam ser dois. Muitas pedras no caminho. Que as fomos atirando para o lado, uma por uma e avançamos. De mãos dadas. Nem sempre. Porque um casamento é feito disso mesmo. Uns dias muito bons e outros muito maus. Mas, meu amor, estás preparado para mais dez?

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Pedaços de mim #5 - O não-pedido de casamento

Não tive um pedido de casamento como manda a tradição. Um pedido surpresa num sítio fantástico, com direito a anel e muito choro e emoção à mistura. Mas foi bom como foi. Foi simples. À nossa maneira esquisita e repentina de fazer as coisas. Resolvemos que íamos casar depois de um dia muito, muito mau para ti. Secalhar um dos piores dias da tua vida até hoje. Foi de repente. Assim, do nada. Chegaste lá a casa em lágrimas e disseste 'Vou sair de casa, anda viver comigo'. Era Novembro. E eu aceitei, com uma condição. Tínhamos que casar pela Igreja. Tu aceitaste, também o querias. E começaram os planos. Assim, simples quanto isto. No dia a seguir fomos à Igreja e marcamos o casamento para o trinta e um de Março. E no dia a seguir voltamos lá para desmarcar. Remarcamos para Maio. Foi uma surpresa para alguns familiares, até para os meus pais. Depois de muitos anos de namoro, já se previa, mas não assim num repente e num curto espaço de tempo. Entregamos alguns convites e ouvimos um 'estás grávida, Joana?', 'é por isso que vão casar às pressas?' Poderia ser. Mas não. Circunstâncias da vida que não são para aqui chamadas apenas apressaram esse nosso desejo de vida em comum. Procuramos um ninho para viver. O nosso ninho. Encontramos em pouco tempo. Um T2 pequenino, mas aconchegante. E marcamos escritura. Recebemos a chave. É nosso. E fugimos para lá num dia à noite, ainda sem luz e deitados lado a lado no chão da sala ainda vazia, sonhamos os dois. Com o caminho percorrido até ali, desde os nossos tempos de liceu. E com o tanto que ainda queríamos percorrer. Juntos. Conseguimos. Depois disto tudo decidido e organizado, aí sim. Levaste-me ao parque. E veio o pedido meio atabalhoado de casamento e o anel. No mesmo banco de jardim onde me pediste em namoro cinco anos antes. Não te ofereci um relógio, como dizem que é a tradição. Tu não ligaste muito. E assim começaram os preparativos para o nosso grande dia.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Bolo de laranja e coco

Existirá alguém que não goste de bolos? Acho que não, pois não? Uns são adeptos de bolos cheios de recheios, outros gostam dos bolos caseiros e simples, há ainda quem goste de bolos em doses individuais, mas acho que toda a gente aprecia uma boa fatia de bolo que nos adoça o palato. Cá em casa somos adeptos dos bolos caseiros e simples. As montras de bolos que vemos nas padarias quando lá vamos, não nos seduzem em nada, nem sequer ao mais novo. Já os variados tipos de pão que lá se encontram, isso sim é outra história... Por isso, e para não variar, sai mais um bolo daqueles simples de laranja e coco. Não ficou amarelinho e fofinho, tipo nuvem, pois deixei de usar açúcar branco (à excepção do açúcar em pó - mas está quase, é só acabar o que tenho em casa) e farinhas refinadas, mas garanto-vos que de sabor e textura ficou maravilhoso.


 Adaptado daqui
Ingredientes:

- 3 ovos
- 150 g. açúcar amarelo
- 1 c.sopa de manteiga à temperatura ambiente
- 200mL leite (usei s/ lactose)
- 100g. coco ralado
- 120g. farinha de aveia
- 120g. de farinha de amêndoa
- 50g. farinha de linhaça dourada
- 1 c.chá de fermento em pó
- Raspa e sumo de 1 laranja

Preparação:

- Numa bacia, juntar os ovos e o açúcar e misturar bem com a batedeira eléctrica.

- Juntar depois os restantes ingredientes e bater mais um pouco com a batedeira para envolver bem.

- Verter o conteúdo para uma forma untada e enfarinhada e levar ao forno a 180ºC entre 30/40minutos (dependendo do forno) e retirar logo o bolo do forno para não secar.

- Depois de frio e desenformado, fazer uns furinhos no bolo com um palito e regá-lo com um pouco de sumo de laranja.

- Decorar a gosto. Servir.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Tiras de frango de cebolada e couve-roxa

(não entendo porque é que existe a opção agendar posts - os meus nunca saem sem ser manualmente :-( grrrrr)

Maio é um mês especial cá em casa. É o nosso mês de celebração do amor. Foi em Maio que começamos a namorar e cinco anos depois, também o mês em que casamos. Dantes a celebração era a dois, agora a três, mas que em nada atrapalha os nossos planos, pelo contrário, completa e dá mais sentido ao nosso amor e união. É o mês de Nossa Senhora de Fátima, que mesmo sendo uma pessoa cheia de dúvidas e incertezas em relação à minha fé, sinto esta época com especial devoção. Em Maio as temperaturas amenas costumam ser mesmo ao meu jeito e é também em Maio que cá em casa 'abrimos' a época oficial dos piqueniques e por vezes, da praia. Por isso, Maio tem tudo para ser um mês desfrutado ao máximo. Assim espero.

Hoje, trago-vos uma sugestão bem fácil de confeccionar, como de costume, e saborosa. Tiras de frango de cebolada e couve-roxa. Assim uma refeição levezinha com uma salada acompanhar, ideal para estes dias mais quentes, que temos sentido. Espero que gostem!

Ingredientes:

- Bifes ou peito de frango
- Azeite
- 1 cebola grande
- Couve roxa partida às tirar
- Coentros, sal e pimenta preta q.b

Preparação:

- Partir os bifes ou peito de frango às tiras e reservar.

- Num tacho grelhador/wok/frigideira deitar um fio de azeite e deixar aquecer. Juntar as tiras do frango e deixar grelhar/cozinhar. Quando começar a ganhar cor, adicionar as rodelas de cebola e a couve roxa(juntam no início com o frango, ou mais tarde, dependendo do grau que gostem que a cebola e a couve fiquem cozinhadas... Muito corada ou pouco).

- Temperar com sal, pimenta preta e coentros e deixar grelhar bem. Ir mexendo.

- Servir!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Pedaços de mim #5 - Mudança de casa

Costumo dizer que a nossa vida tem bichinhos carpinteiros. Por cá, há sempre algo acontecer, uma animação constante. Mas há fases em que o que precisamos é de tranquilidade, de ganhar fôlego para novas ideias que vão surgindo.

Ora, como vos contei aquando do meu regresso, neste post, o ano passado estávamos nós a iniciar uma dessas fases tranquilas, depois das várias burocracias em relação à compra do terreno. Ainda não tínhamos começado a construção e portanto, havia ali um intervalo de acalmia, quando recebi um telefonema da imobilária a dizer que tínhamos potenciais compradores para o nosso apartamento.
Depois da visita, tivemos a confirmação. Estavam interessados. Queriam comprar. E nós queríamos vender. Estavam então reunidas todas as condições para a venda, não fosse o pequeno senão de o comprador querer mudar para lá no espaço de trinta dias. What???
Leram bem, tivemos trinta dias para encontrar um novo sítio para morar. O mercado de arrendamento andava louco. Talvez ainda andará, não sei. Ou não existiam apartamentos com tipologia compatível com o que queríamos, ou os que existiam precisariam de muitas obras e não ficariam prontos no tempo recorde que precisávamos ou pior ainda, pediam rendas escandalosas e inacessíveis para os nossos bolsos. 

E pronto, lá se foi o nosso intervalo de acalmia e ingressamos na louca aventura da busca por um sítio para morarmos.


Foi difícl, mas conseguimos. Por isso, atualmente, estamos a viver em pleno centro de uma outra cidade que não a nossa (eu nunca vivi numa zona central), mudamos de um rés-do-chão para um 4º andar e temos metade da nossa vida encaixotada. Temos apenas o essencial. Não tenho cortinas, não tenho carpetes grandes e fofinhas, mas vive-se. Dei o meu toque pessoal para o tornar mais aconchegante e já estamos completamente adaptados ao barulho de fundo.

Daqui a um tempinho, nova mudança, desta feita para uma zona fora do centro, lá no alto de uma rua sem saída, onde o barulho será bem menor, mas onde não terei o conforto de descer e ter multibanco, padaria, mercearia, farmácia tudo ali nas ruas circundantes.
São muitas mudanças em pouco tempo, mas nós como sempre, adaptamos-nos e desta vez não será diferente. A ver vamos...

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Paté de sardinha (s/ maionese)

Cá em casa o uso da maionese era exclusivo para patés. Como não fazia amiúde esse petisco, o frasco acabava sempre por ficar inutilizado, mesmo que a maionese tivesse com bom aspecto eu própria olhava para o frasco com cara desconfiada e acabava sempre no caixote do lixo.

Por isso, desde que aprendi a dica de substituir a maionese por queijo quark ou por iogurte grego natural, passei a fazer este petisco mais vezes. Cá em casa são dois ingredientes que nunca faltam e se podemos aliar o sabor ao facto de serem ingredientes mais saudáveis em comparação da maionese, é fácil de fazer as contas. Este paté de sardinha é muito apreciado por todos cá em casa e dá uma bela entrada para um almoço de Domingo em que gosto sempre de preparar umas entradinhas, mesmo que sejamos apenas os três à mesa.


Ingredientes:

- 1 lata de sardinhas em tomate (conserva)
- 1 cebola pequena picada
- 1 ovo cozido
- Salsa fresca picada (a gosto)
- Sal e pimenta ( a gosto)
- Queijo quark (a gosto)

Preparação:

- Retirar a espinha central das sardinhas (ou não) e esmagar com um garfo.

- Juntar a cebola picada, a salsa picada, o ovo cozido aos bocadinhos e envolver até formar uma pasta homogénea.

- Temperar com sal e pimenta, juntar o quark até obter a consistência desejada e ralar com a varinha mágica até formar uma pasta homogénea (ou apenas com o garfo, se gostar de um paté com mais grumos).

- Decorar com salsa picada por cima. Guardar no frigorífico antes de servir.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Páscoa 2018 - Por cá! - Bolo de leite

Por vezes gostava de ser um polvo para ter muitos braços e conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo. Também gostava de ser um elefante, pois ao que parece eles teem boa memória e assim poderia ser que deixasse de ser tão despistada. Mas são tantas coisas acontecer ao mesmo tempo que será normal - digo eu - que alguma dessas tarefas sejam esquecidas pelo meio. Secalhar, o que eu precisava mesmo era de ser um falcão-peregrino para voar a alta velocidade e aí sim, poderia ser que as vinte e quatro horas fossem suficientes para tudo o que eu preciso de fazer. Se uns dias até são mais calmos, outros são bem caóticos, sempre com aquela sensação de estar sempre atrasada para tudo, mesmo que esse atraso sejam dez minutos - mas eu detesto chegar atrasada.


Posto isto, sou humana. Sou mulher. Sou mãe. Sou esposa. Sou trabalhadora dentro de casa. Sou trabalhadora fora de casa. Sou filha. Sou neta. Sou sobrinha. Sou amiga. Sou ouvinte. Sou 'psicóloga'. Sou desportista. Ou tento, vá. E tenho um blog de receitas. Que nem sempre está actualizado como queria. Nem com as fotos como deveriam ser. Nem com receitas mais complexas e temáticas, como gostava.  Mas, adoro andar por aqui na blogosfera e espero que vocês entendam, mesmo que não aprendam a cozinhar nada comigo - que também não é esse o meu objetivo, pelo menos que tirem daqui algumas ideias e que vos inspire  nas refeições do dia-a-dia. Na realidade, este meu cantinho, transmite verdadeiramente a minha essência. Cá em casa é tudo muito simples, com as refeições igualmente descomplicadas, mas tudo verdadeiro. E sim, talvez isso seja mesmo o mais importante. Sermos nós próprios, sem imitações. 

E porque nesta Páscoa não consegui comprar decoração nenhuma alusiva a esta época para a minha morada atual. Também não me foi possível fazer nenhuma receita tradicional. Mas, deixo-vos com uma receita de bolo de leite que fiz numa dia da passada semana, já muito tarde, que foi provado ainda quente e acompanhado de uma chávena de chá na varanda da sala no silêncio da noite. E soube tão bem. Um pequeno momento de relaxe, de felicidade, que é um balão de oxigénio para continuar no dia a seguir ao estado de stress em que nos encontramos.


Receita adaptada daqui

Ingredientes:

- 4 ovos
- 150gr. açúcar (usei amarelo)
- 180 gr. de farinha de aveia
- 80 gr. de farinha de linhaça dourada
- 200mL de leite (ou bebida vegetal)
- 20mL de azeite
- 1 colher de chá de fermento em pó
- Açúcar em pó e canela para polvilhar

Preparação:

- Numa taça colocar o açúcar e os ovos e misturar bem.

- Acrescentar depois os restantes ingredientes e bater bem com a batedeira até formar um creme homogéneo.

- Deitar o preparado numa forma untada e enfarinhada e levar ao forno a 180ºC durante 30 minutos até estar cozido (fazer o teste do palito).

- Retirar do forno, deixar arrefecer um pouco e desenformar.

- Polvilhar com açúcar em pó e canela (opcional).

- Servir.



sexta-feira, 30 de março de 2018

Páscoa 2018 - Sugestão de pratos salgados

E porque a vida não são só doces, e nós por cá somos apreciadores de comida de verdade e bons pratos salgados. Hoje, trago-vos algumas sugestões que podem ser do vosso agrado para esta época festiva.
Não vos trago receitas de leitão, de borrego nem de cabrito assado no forno (que tanto adoro), mas sim umas sugestões mais singelas, o habitual por aqui, mas nem por isso menos saborosas.

Como umas entradas para abrir o apetite sugiro:

Uma quiche de frango sem natas servida em fatias é sempre uma boa opção.
Quiche de frango sem natas
E porque não umas bolinhas de atum e grão-de-bico no forno? São saudáveis e desaparecem num instante. Porque tudo o que é servido em doses individuais faz sempre um brilharete.
Bolinhas de atum e grão-de-bico no forno

Umas favas salteadas com bife e bacon, apesar de obrigarem ao uso de faca e garfo, é uma sugestão tão gulosa, que não resisti em juntá-la à nossa mesa de Páscoa.
Favas salteadas com bife e bacon
No outro dia visitei um restaurante muito simples aqui perto, onde comi as melhores pataniscas de bacalhau que conheço. Estavam tão levezinhas, que parecia que estava a comer uma nuvem de  batata e bacalhau. Estas minhas são mais densas, mas garanto-vos que ficam muito boas e bonitas na mesa.
Pataniscas de bacalhau
E para terminar, servir umas tostas acompanhadas de um paté de atum e delícias do mar (sem maionese). E pronto, fica ou não fica o ramalhete bem composto com estas sugestões de entrada?
Paté de atum e delícias do mar (sem maionese)
Para pratos principais:

Começamos com uma caldeirada de lulas. Assim daquelas comidinhas de conforto que sabem tãooooo bem.
Caldeirada de lulas
Bacalhau com natas é aquele prato que quase toda a gente gosta. Que rende muito e dá relativamente pouco trabalho. É o fiel amigo e basta, não é preciso dizer mais nada.
Bacalhau com natas (c/ batata-frita)
E porque Páscoa não tem que ser sinónimo de comidas pesadas, podemos sempre continuar no registo diário e optar por uma comidinha saborosa e mais saudável. Por isso umas tiras de perú de cebolada c/ tomate ou apenas simples grelhadas, acompanhadas de um arroz branco com bróculos. Porque não?
Tiras de perú de cebolada e tomate
Carne de porco com castanhas, não rima apenas com Outono. Rima também com Primavera, ainda para mais uma Primavera tímida como esta. Cá em casa é uma refeição que gostamos muito e que ultimamente tenho substituido a carne de porco por frango ou perú, que fica igualmente saborosa. Experimentem!
Carne de porco com castanhas

segunda-feira, 26 de março de 2018

Páscoa 2018 - Sugestão de pratos doces

Na nossa mesa de Páscoa não podem faltar os docinhos. Uns mais tradicionais, outros menos típicos desta época, mas nem por isso menos saborosos.
Por cá, não temos a tradição do folar, mas pão-de-ló, cocos e doces amarelos e brancos não podem faltar na nossa mesa.
O que vos trago hoje, não são receitas tradicionais de doces de Páscoa, mas sim outras receitas igualmente docinhas que seleccionei para vós e que com toda a certeza ficariam bem nas vossas mesas por estes dias.

Espero que gostem!

Cá em casa, seja qual for a festa tem que ter na mesa um pudim. Deixo-vos a sugestão deste pudim de pão que fica sempre alto, brilhante e muito saboroso.

Pudim de pão
Um bolo/tarte de morango é um doce que convém ser servido fresco. É um bolo maravilhoso e que combina com Primavera, estação que se inicia e dá cor e alegria a uma mesa de Páscoa.

Bolo/tarte de morango
Para quem não é apreciador de pão-de-ló, mas gosta daquele típico bolo de chá. Esta é uma boa sugestão para este dia festivo. Um bolo que pode ser servido simples ou então deem-lhe um upgrade como eu fiz, com uma cobertura de leite condensado.

Bolo simples com cobertura de leite condensado
E porque as sobremesas em formas individuais fazem sempre sucesso e desaparecem num instante, nada melhor que acrescentar à mesa umas queijadinhas de iogurte. Mas o melhor é dobrar a receita se as visitas forem muitas. Todos vão querer provar uma.

Queijadinhas de iogurte
Umas bolachinhas caseiras para acompanhar o café é uma sugestão muito bem-vinda por estes lados. Não só na Páscoa mas sempre que nos apetecer um doce e já agora, para contrastar com o amargo típico (mas tão bom) do café. Estas de coco e gengibre também teem aquele travozinho picante o que as tornam bem saborosas para serem degustadas neste dia de Páscoa.

Bolachas de coco e gengibre

E finalmente, deixo-vos como sugestão uma sobremesa com fruta mas igualmente doce. Porque o tempo ainda vai ameno e ainda sabe bem comer umas maçãs assadas no forno quentinhas

Maçãs assadas no forno

quinta-feira, 22 de março de 2018

Esparguete com atum e cogumelos

A Páscoa é já no final da próxima semana. Mas como. Já? Por cá, ainda não decorei a sala como costumo fazer. Ainda não tenho na mesa de jantar da sala o prato com as amêndoas e a garrafa do vinho do Porto para as visitas. Ainda não elaborei a lista com os doces que vou fazer. Ainda não comprei as lembranças dos padrinhos e muito menos o folar para o afilhado do marido. Este ano não me vejo entusiasmada com a Páscoa como de costume, apesar de ser uma festa familiar que eu aprecio bastante. Por isso, enquanto por aqui não tem aparecido muitos pratos doces como antigamente e muito menos sugestões de doces de Páscoa, fiquemos-nos por um prato muito simples mas muito saboroso. Massa esparguete com atum e cogumelos. Cá em casa tenho o hábito de uma vez por semana fazer um prato que leve atum. E este é daqueles ideais para se fazer num jantar de dia da semana, porque faz-se rapidinho e no final sobra tempo para se dedicarem a outras tarefas diárias.

Ingredientes:

- 1/2 cebola picada
- 1 dente de alho picado
- Azeite
- Esparguete (quantidade a gosto)
- 1 lata de cogumelos laminados
- Repolho cortado em tiras finas (quantidade a gosto)
- 2 latas de atum em conserva (em azeite ou em água)
- 1 pacote de natas de culinária (só usei metade)
- Queijo mozarella ralado
- Sal e pimenta (q.b)
- Oregãos

Preparação:

- Levar a esparguete a cozer, numa panela com água fervente e sal. Deixar cozer até ficar al dente (10minutos). No final escorrer a água, regar com um fio de azeite e mexer.

- Enquanto a massa coze...

- Numa frigideira, regar com azeite, colocar a cebola e alho picados e deixar refogar até que a cebola fique translúcida.

- Juntar o repolho cortado em tiras finas e deixar saltear até o repolho ficar mais translúcido. Juntar depois os cogumelos e temperar com sal e pimenta a gosto.

- Adicionar por fim o atum e as natas (quantidade a gosto), mexer e deixar cozinhar.

- Empratar com a esparguete no fundo do prato, colocar por cima a mistura do salteado de cogumelos e atum e polvilhar com queijo ralado e oregãos.

- Servir!


Opcional: Juntar a esparguete diretamente na frigideira, misturar tudo e juntar o queijo ralado e os oregãos. Servir posteriormente tudo misturado. 

segunda-feira, 19 de março de 2018

Inspirações casa nova #4 - A minha nova cozinha

Era uma vez, um jovem casal, cheios de ideias e ambições. Que não estando satisfeitos com a sua vidinha do dia a dia já com as preocupações do costume, as profissões de cada um, um filho pequeno para cuidar e tudo o que envolve a típica dinâmica familiar, apenas com umas pontuais ajudas externas, decidiram dedicar-se a um outro projeto.
Começaram por comprar um terreno. Depois colocaram o apartamento em que viviam no mercado imobiliário para venda e finalmente começaram com a longa saga da construção de uma casa de raíz. Uma verdadeira saga, leram bem...

Isto da construção de uma casa demora imenso tempo. É muita papelada, muita burocracia. Finalmente, quando começa a construção propriamente dita, percebe-se que o que está no papel, quando aplicado à realidade não fica como idealizamos, por isso nada melhor que deitar umas paredes abaixo e mudar portas de sítio e trocar umas divisões... Vai daí, a casa ainda está apenas concluída de pedreiro e começa agora a próxima fase.

Open space - cozinha, sala de jantar e estar a todo o comprimento da casa

Andamos muito entusiasmados com esta nova fase e eu continuo a sonhar e ansiosa com a parte dos acabamentos, das escolhas das louças, das tintas, das madeiras, da disposição dos móveis, da decoração... Embora saiba que essa fase é ultra-desafiante e cansativa, também será certamente a mais bonita e divertida.

Depois... Depois espero que tenhamos saúde, para podermos desfrutar da nossa nova casa em família, de passarmos bons momentos nela e criarmos memórias. Simplesmente vivermos. Sim, é isso.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Bacalhau gratinado no forno c/ batata doce

Sem dúvida alguma que o bacalhau é rei nas mesas portuguesas. E é muito versátil. Daí existirem mil e uma maneiras de o confeccionar e o mesmo prato pode ser recriado de várias formas. Desta vez trago-vos um bacalhau gratinado no forno c/ batata doce. Fi-lo desta forma neste dia, pois na hora da confeção é inventar, é dar uso aos vários ingredientes que temos em casa. Podia ter juntado cenoura raspada, podia ter juntado legumes, podia ter enfeitado com azeitonas, podia ter usado batata normal em vez da batata doce. Por isso aqui fica apenas uma sugestão de confeção. Usem e abusem da imaginação, pois cá em casa o bacalhau nunca é feito da mesma forma. Mesmo quando tenho a intenção de repetir uma qualquer receita, acabo sempre por acrescentar ou retirar este ou aquele ingrediente. Umas vezes resulta, outras não.


Ingredientes:

2 lombos de bacalhau
- 1 cebola
- 2 dentes de alho
- 1 folha de louro
- Azeite
- Pimenta preta q.b
- Noz moscada q.b
- Salsa
- 1 embalagem queijo mozarella ralado
- Batata-doce (quantidade a gosto)
- 2 ovos

Preparação:

- Num tacho, colocar as batatas doces, o bacalhau e os ovos a cozer em água e sal. Desfiar posteriormente o bacalhau tirando peles e espinhas. Reservar.

Num tacho largo, fazer um refogado com cebola às rodelas, alho picado e uma folha de louro e azeite. Quando a cebola estiver translúcida juntar o bacalhau já desfiado e deixar cozinhar durante um pouco. Temperar o preparado com pimenta e noz moscada e envolver o preparado.

- Regar o fundo de uma assadeira com azeite e começar a montagem:

  1. 1 camada no fundo das batatas doces cozidas partidas aos bocadinhos (ou em puré - como preferirem)
  2. 1camada do preparado da cebolada de bacalhau
  3. terminar com outra camada de batatas, espalhar por cima o queijo ralado e enfeitar com o ovo cozido às rodelas

 - Levar a assadeira ao forno a 200ºC durante 20 minutos até gratinar.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Pedaços de mim #4 - Eu, nos dias de hoje

Quando fechas os olhos, pensas em ti, na tua própria existência e fazes um flashback mental da tua vida até aos dias de hoje (se nunca fizeram isso, experimentem. Tirem um bocadinho do vosso tempo, fechem os olhos e concentrem-se na vossa pessoa) o que mudavas? O que farias de diferente? O que terias feito da mesma forma? E o que decididamente terias riscado da tua memória e dos teus acontecimentos passados?
Pessoalmente e até ao momento presente, quando faço esse rewiew, mudava uma coisa. Tinha feito uma coisa que eu queria muito, mesmo muito e que na altura não tive a coragem de levar avante. Não a vou mencionar aqui por ser demasiado pessoal, mas é o meu único ponto de dor na alma até aos dias de hoje. Pequeno ponto, por sinal e que raramente penso nele, mas de vez em quando dá o ar de sua graça e inunda-me os pensamentos. Entrei nos trinta. Já vivi tanto. E vivi tão pouco ainda. Tenho uma união muito grande com os meus mais chegados. Somos um núcleo pequeno, mas uma família grande. Não estamos juntos todos os dias, mas quando um de nós está mal, no mesmo instante a notícia espalha-se e ficamos todos a saber uns dos outros. Quer do lado paterno, quer do materno. Não sou enfermeira, como pensei que seria. Fui uma quase-enfermeira. Tal como o meu pai. Genes, será? O amor tem destas coisas. Enamoramo-nos, sempre fomos duas pessoas cheias de sonhos e objetivos e isso sobrepôs-se ao desejo de continuar os estudos. Não me arrependo. Gosto das escolhas que fiz. Em criança fui feliz. Em jovem essa felicidade continuou. Quando casei aumentou. E quando tive o meu filho transbordou e ultrapassou tudo o que conhecia até então. Considero-me uma sortuda. A vida tem-me corrido bem e as minhas escolhas teem sido acertadas. Talvez porque passo por um processo em pensamento de objetivos e planos. E posteriormente é que passo à ação. Sou uma pessoa  razão-coração. Se por um lado tento ter os pés bem assentes e tenho um lado racional muito presente. Ao mesmo tempo sou sonhos e coração e quando dou por mim ando lá no alto a flutuar e a sonhar com tanta, tanta coisa. Não sei se é bom ou mau. Mas esta sou eu.

Se mudava alguma coisa na minha personalidade e até nas minhas escolhas e no meu percurso até ao presente? Claro que sim, quem não? Mas o importante mesmo é sabermos lidar connosco mesmos e com o meio envolvente e conseguirmos estar de bem com a vida... Sorrir para a vida e sermos gratos. Se assim for... mais tarde ou mais cedo, ela sorri de volta! Quero acreditar que sim.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Hambúrgueres de atum e aveia

A Segunda-feira é um dia chato. Custa-me a levantar. Não me apetece sorrir. Sinto as mazelas no corpo depois de um fim-de-semana cheio de agitação. Passo maquilhagem para dar um ar mais vivo e esta cara pálida típica de Inverno. E saio de casa. Vou tomar um café. Conversa de circunstância com caras a que estou acostumada a ver logo de manhã e inicia-se uma nova semana. Entretanto, sorrio. E agradeço. Porque estou aqui, porque estou viva. Porque os meus estão bem e porque por mais que a Segunda-feira seja um dia chato é o dia do recomeço, de dar as boas-vindas a uma nova semana. A dias que são cada vez maiores. A tarefas a iniciarem. A novos objectivos. A novas conquistas. E se acompanharmos esse entusiasmo com uns hambúrgueres de atum e aveia ao almoço, para começar a semana com uma comida levezinha, melhor ainda. E, deixo-vos como sugestão, que acompanhem esta singela refeição com um belo copo (de preferência de pé alto e balão largo) de vinho tinto. E... que comece a semana!


Ingredientes:

- 2 latas de atum (em água ou em azeite)
- Meia cebola picada
- 1 dente de alho picado
- Meia cenoura raspada
- 1 ovo
- 4 colheres de sopa de farinha de aveia
- 1 fatia de queijo partida aos bocadinhos
- Cebolinho q.b.
- Sal marinho e pimenta q.b. para temperar
- Azeite

Preparação:

- Numa taça, juntar todos os ingredientes (excepto o azeite) e mexer muito bem para envolver até formar uma pasta grosseira.

- Formar discos de hambúrguer e colocá-los numa travessa com papel vegetal (por baixo e por cima dos hambúrgueres).

- Colocar a travessa c/ os hambúrgueres no congelador durante 30 minutos (para endurecerem e não se partirem ao grelhar).

- Levar depois os hambúrgueres a grelhar numa frigideira antiaderente untada em azeite.

- Deixar dourar de ambos os lados.

- Servir.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Pedaços de mim #3 - A minha história de amor (3ª parte)

(...) O tempo amolece até o mais duro dos corações.

----------------------------------------

Passou um ano e meio. E por esses dias, recebi uma sms de uma amiga, dizendo que haveria um jantar-reencontro da nossa turma de 9º ano. Tínhamos-nos separado quase todos. Muito reticente, mas lá fui. E quando cheguei, lá estavas tu. E um lugar vago à tua frente. Agora penso se não terá sido de propósito. Sentei-me e pouco falamos. Começamos o jantar e pedi uma cerveja. E depois pedi outra. Precisava de beber. Naquela época não se aplicava lá muito a regra de não servir álcool aos menores de idade em restaurantes. Eu, que nunca bebia álcool.  Mas eras demais para mim. Voltou tudo outra vez. Porquê? Eu já te tinha esquecido. E agora estavas ali, mesmo à minha frente e sorrias. E o meu coração voltou a bater descompassado. Então precisava de outra cerveja. E outra. Não me lembro de quantas bebi, mas sei que quando me levantei sentia-me tonta e cambaleante. E tu agarraste-me. E saímos do restaurante abraçados. Eu não estava bêbeda, estava alegre e ria-me imenso. E tu rias-te. E rimo-nos os dois. E fomos passear ao ar livre. Juntos. Paramos no sitio onde namoramos tantas vezes, no jardim em frente à Câmara Municipal e sentamos-nos na relva. Estava escuro. Não me lembra se havia estrelas no céu, mas eu sentia-me iluminada por dentro como à muito não sentia. E falamos muito, sobre o que tinham sido as nossas vidas desde que nos deixamos de ver. E o meu telemóvel tocou. Já era meia-noite. Já? Passou tão rápido. O meu pai já estava à minha espera. Queria tanto ficar contigo. Despedimos-nos. Eu dei-te um beijo na cara. E tu deste-me um beijo nos lábios. Como é que te atreveste? Mas eu deixei. E retribuí. E depois demos outro e mais outro. E o meu telemóvel tornou a tocar. E eu fui embora. Nessa noite, já em casa, combinamos um encontro para o dia seguinte, para falarmos melhor do que tinha acontecido. Querias namorar comigo. E eu não queria. Pediste-me desculpa. Disseste que estavas mais maduro e mais velho... A sério? Só passou um ano e meio, embora eu achasse que passou uma vida inteira. E não aceitei o teu pedido. E assim continuamos amigos durante mais um tempo. Voltamos ao nosso cantinho para jogar snooker, íamos tomar café juntos. Voltamos a estar com alguns dos nossos amigos em comum. Trabalhavas de noite numa padaria e dormias de dia. E deixaste de dormir muitos dias só para estar comigo. Vinhas a pé de casa e eu contava os minutos que faltavam para acabar as aulas e ir ter contigo. Ias trabalhar de noite com duas horas de sono e entupido de cafés para te manter acordado. Falávamos imenso. Sobre tudo. Sobre a vida. E dos planos que tínhamos para a vida. E percebemos que alguns dos planos eram parecidos. E começamos a fazer planos em comum. A traçar objectivos em comum. E estávamos sempre juntos. Para todo o lado. Mas não namorávamos. Até ao dia vinte e um de Maio. Nessa tarde, levaste-me ao parque. Mandaste-me subir a um banco de jardim e pediste-me em namoro. Estavas com uma cara séria e aquilo que dizias era sentido. E eu aceitei. Já o tinha aceitado muito antes de te ter dito que sim. Nesse dia à noite mandaste-me uma sms a dizer 'Hoje, foi um dia muito feliz para mim... Começamos a namorar... E o F.C.Porto ganhou a taça Uefa'. E eu percebi. Não era a típica declaração de amor que eu esperava, comparar-me a um sentimento pelo teu clube de futebol. E eu sei o quanto adoras futebol. Mas percebi, que entre nós não havia artificialismos, como até hoje não os há. Que somos crus, que somos diferentes, por vezes tão diferentes, e noutras tão iguais. Começamos a namorar no dia vinte e um de Maio de dois mil e três... até hoje!