...Quase um ano depois do último post, achei que seria uma boa fase para regressar a este meu cantinho e às receitas habituais. Esta pausa não foi premeditada, simplesmente aconteceu, mas acho que precisava disto para me focar noutras coisas que precisavam da minha atenção.
Muitas coisas aconteceram na minha vida desde então. Mudei de casa. Tive 30 dias para encontrar um novo sítio para morar. Tenho ainda metade da minha vida encaixotada. Daqui a um ano nova mudança de morada. Fiquei sem máquina fotográfica. O meu telemóvel avariou. Comprei um telemóvel melhorzito para tirar umas fotos. Continuo a cozinhar todos os dias. Não tiro fotos ao que cozinho. Tenho feito menos receitas doces. Não faço um pudim à mais de 4 meses. A minha ansiedade atingiu os píncaros. Comecei a praticar exercício regular para ajudar na minha ansiedade. Tem resultado. Fiz trails. Participei em São Silvestres. Corri sozinha. Corri acompanhada. Fiz amigos. Pensava que já estava velha demais para fazer novos amigos. Descobri que afinal, não. Mantive alguns. Eliminei outros. Continuo com o mesmo peso. Não engordo e não emagreço. Há dias em que me olho ao espelho e não gosto do que vejo. As rugas apareceram e não saem. Dizem que é de me estar sempre a rir. Sinto-me quase todos os dias uma adolescente cheia de sonhos. Mas olho para as responsabilidades em cima dos meus ombros e percebo que não. Uns dias sinto-me super feliz e super realizada. Noutros sinto-me miserável e de costas voltadas para a vida. Nuns dias agradeço por tudo o que de bom tem sido a minha vida e a dos meus. Noutros choro porque ainda me sinto incompleta. O meu filho esta semana faz seis anos. Já poderia ter outro de três. Foi melhor assim. Somos só os três em casa. Não sei se alguma vez seremos quatro. Ou cinco. As voltas que a vida dá. Somos felizes. Mas cheios de imperfeições. A nossa casa é barulhenta. Dizem que o amor faz barulho, mas não incomoda. Afinal incomoda. Porque a minha vizinha veio cá a casa queixar-se. Conheço cada vez mais pedacinhos do meu país. Um país pequeno mas com tanto para descobrir. Não viajei para fora. Mas tenho uma lista de países a visitar antes de morrer. E de restaurantes a visitar antes de morrer. E de milhentas experiências que quero vivenciar antes de morrer. Tenho tanto para fazer antes de morrer. Não perdi ninguém que me é chegado. Mas fui uma vez à capela mortuária. Continuo a não saber lidar com a morte. Continuo a não saber o que dizer nessas situações. Continuo a fingir que não existe. Mas existe. E espreita. E um dia calha-me a mim e aos meus. Não estou preparada. Vou continuar a assobiar para o ar. Pode ser que ela se esqueça de mim. O meu jeito para a escrita não melhorou. Mas gosto disto. Do blog. Do que acrescenta à minha vida. Da interacção. Da partilha. As minhas receitas continuam básicas. Às vezes os meus queixam-se da minha comida. Está insossa. Está salgada. Devia ter cozinhado mais tempo. Não gostam do aspecto. Não é a comida perfeita. Mas eu não sou perfeita. A minha vida não é perfeita. E não é, que afinal, isto tem graça é ser assim mesmo?
Muitas coisas aconteceram na minha vida desde então. Mudei de casa. Tive 30 dias para encontrar um novo sítio para morar. Tenho ainda metade da minha vida encaixotada. Daqui a um ano nova mudança de morada. Fiquei sem máquina fotográfica. O meu telemóvel avariou. Comprei um telemóvel melhorzito para tirar umas fotos. Continuo a cozinhar todos os dias. Não tiro fotos ao que cozinho. Tenho feito menos receitas doces. Não faço um pudim à mais de 4 meses. A minha ansiedade atingiu os píncaros. Comecei a praticar exercício regular para ajudar na minha ansiedade. Tem resultado. Fiz trails. Participei em São Silvestres. Corri sozinha. Corri acompanhada. Fiz amigos. Pensava que já estava velha demais para fazer novos amigos. Descobri que afinal, não. Mantive alguns. Eliminei outros. Continuo com o mesmo peso. Não engordo e não emagreço. Há dias em que me olho ao espelho e não gosto do que vejo. As rugas apareceram e não saem. Dizem que é de me estar sempre a rir. Sinto-me quase todos os dias uma adolescente cheia de sonhos. Mas olho para as responsabilidades em cima dos meus ombros e percebo que não. Uns dias sinto-me super feliz e super realizada. Noutros sinto-me miserável e de costas voltadas para a vida. Nuns dias agradeço por tudo o que de bom tem sido a minha vida e a dos meus. Noutros choro porque ainda me sinto incompleta. O meu filho esta semana faz seis anos. Já poderia ter outro de três. Foi melhor assim. Somos só os três em casa. Não sei se alguma vez seremos quatro. Ou cinco. As voltas que a vida dá. Somos felizes. Mas cheios de imperfeições. A nossa casa é barulhenta. Dizem que o amor faz barulho, mas não incomoda. Afinal incomoda. Porque a minha vizinha veio cá a casa queixar-se. Conheço cada vez mais pedacinhos do meu país. Um país pequeno mas com tanto para descobrir. Não viajei para fora. Mas tenho uma lista de países a visitar antes de morrer. E de restaurantes a visitar antes de morrer. E de milhentas experiências que quero vivenciar antes de morrer. Tenho tanto para fazer antes de morrer. Não perdi ninguém que me é chegado. Mas fui uma vez à capela mortuária. Continuo a não saber lidar com a morte. Continuo a não saber o que dizer nessas situações. Continuo a fingir que não existe. Mas existe. E espreita. E um dia calha-me a mim e aos meus. Não estou preparada. Vou continuar a assobiar para o ar. Pode ser que ela se esqueça de mim. O meu jeito para a escrita não melhorou. Mas gosto disto. Do blog. Do que acrescenta à minha vida. Da interacção. Da partilha. As minhas receitas continuam básicas. Às vezes os meus queixam-se da minha comida. Está insossa. Está salgada. Devia ter cozinhado mais tempo. Não gostam do aspecto. Não é a comida perfeita. Mas eu não sou perfeita. A minha vida não é perfeita. E não é, que afinal, isto tem graça é ser assim mesmo?















