segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Hambúrgueres de atum e aveia

A Segunda-feira é um dia chato. Custa-me a levantar. Não me apetece sorrir. Sinto as mazelas no corpo depois de um fim-de-semana cheio de agitação. Passo maquilhagem para dar um ar mais vivo e esta cara pálida típica de Inverno. E saio de casa. Vou tomar um café. Conversa de circunstância com caras a que estou acostumada a ver logo de manhã e inicia-se uma nova semana. Entretanto, sorrio. E agradeço. Porque estou aqui, porque estou viva. Porque os meus estão bem e porque por mais que a Segunda-feira seja um dia chato é o dia do recomeço, de dar as boas-vindas a uma nova semana. A dias que são cada vez maiores. A tarefas a iniciarem. A novos objectivos. A novas conquistas. E se acompanharmos esse entusiasmo com uns hambúrgueres de atum e aveia ao almoço, para começar a semana com uma comida levezinha, melhor ainda. E, deixo-vos como sugestão, que acompanhem esta singela refeição com um belo copo (de preferência de pé alto e balão largo) de vinho tinto. E... que comece a semana!


Ingredientes:

- 2 latas de atum (em água ou em azeite)
- Meia cebola picada
- 1 dente de alho picado
- Meia cenoura raspada
- 1 ovo
- 4 colheres de sopa de farinha de aveia
- 1 fatia de queijo partida aos bocadinhos
- Cebolinho q.b.
- Sal marinho e pimenta q.b. para temperar
- Azeite

Preparação:

- Numa taça, juntar todos os ingredientes (excepto o azeite) e mexer muito bem para envolver até formar uma pasta grosseira.

- Formar discos de hambúrguer e colocá-los numa travessa com papel vegetal (por baixo e por cima dos hambúrgueres).

- Colocar a travessa c/ os hambúrgueres no congelador durante 30 minutos (para endurecerem e não se partirem ao grelhar).

- Levar depois os hambúrgueres a grelhar numa frigideira antiaderente untada em azeite.

- Deixar dourar de ambos os lados.

- Servir.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Pedaços de mim #3 - A minha história de amor (3ª parte)

(...) O tempo amolece até o mais duro dos corações.

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Passou um ano e meio. E por esses dias, recebi uma sms de uma amiga, dizendo que haveria um jantar-reencontro da nossa turma de 9º ano. Tínhamos-nos separado quase todos. Muito reticente, mas lá fui. E quando cheguei, lá estavas tu. E um lugar vago à tua frente. Agora penso se não terá sido de propósito. Sentei-me e pouco falamos. Começamos o jantar e pedi uma cerveja. E depois pedi outra. Precisava de beber. Naquela época não se aplicava lá muito a regra de não servir álcool aos menores de idade em restaurantes. Eu, que nunca bebia álcool.  Mas eras demais para mim. Voltou tudo outra vez. Porquê? Eu já te tinha esquecido. E agora estavas ali, mesmo à minha frente e sorrias. E o meu coração voltou a bater descompassado. Então precisava de outra cerveja. E outra. Não me lembro de quantas bebi, mas sei que quando me levantei sentia-me tonta e cambaleante. E tu agarraste-me. E saímos do restaurante abraçados. Eu não estava bêbeda, estava alegre e ria-me imenso. E tu rias-te. E rimo-nos os dois. E fomos passear ao ar livre. Juntos. Paramos no sitio onde namoramos tantas vezes, no jardim em frente à Câmara Municipal e sentamos-nos na relva. Estava escuro. Não me lembra se havia estrelas no céu, mas eu sentia-me iluminada por dentro como à muito não sentia. E falamos muito, sobre o que tinham sido as nossas vidas desde que nos deixamos de ver. E o meu telemóvel tocou. Já era meia-noite. Já? Passou tão rápido. O meu pai já estava à minha espera. Queria tanto ficar contigo. Despedimos-nos. Eu dei-te um beijo na cara. E tu deste-me um beijo nos lábios. Como é que te atreveste? Mas eu deixei. E retribuí. E depois demos outro e mais outro. E o meu telemóvel tornou a tocar. E eu fui embora. Nessa noite, já em casa, combinamos um encontro para o dia seguinte, para falarmos melhor do que tinha acontecido. Querias namorar comigo. E eu não queria. Pediste-me desculpa. Disseste que estavas mais maduro e mais velho... A sério? Só passou um ano e meio, embora eu achasse que passou uma vida inteira. E não aceitei o teu pedido. E assim continuamos amigos durante mais um tempo. Voltamos ao nosso cantinho para jogar snooker, íamos tomar café juntos. Voltamos a estar com alguns dos nossos amigos em comum. Trabalhavas de noite numa padaria e dormias de dia. E deixaste de dormir muitos dias só para estar comigo. Vinhas a pé de casa e eu contava os minutos que faltavam para acabar as aulas e ir ter contigo. Ias trabalhar de noite com duas horas de sono e entupido de cafés para te manter acordado. Falávamos imenso. Sobre tudo. Sobre a vida. E dos planos que tínhamos para a vida. E percebemos que alguns dos planos eram parecidos. E começamos a fazer planos em comum. A traçar objectivos em comum. E estávamos sempre juntos. Para todo o lado. Mas não namorávamos. Até ao dia vinte e um de Maio. Nessa tarde, levaste-me ao parque. Mandaste-me subir a um banco de jardim e pediste-me em namoro. Estavas com uma cara séria e aquilo que dizias era sentido. E eu aceitei. Já o tinha aceitado muito antes de te ter dito que sim. Nesse dia à noite mandaste-me uma sms a dizer 'Hoje, foi um dia muito feliz para mim... Começamos a namorar... E o F.C.Porto ganhou a taça Uefa'. E eu percebi. Não era a típica declaração de amor que eu esperava, comparar-me a um sentimento pelo teu clube de futebol. E eu sei o quanto adoras futebol. Mas percebi, que entre nós não havia artificialismos, como até hoje não os há. Que somos crus, que somos diferentes, por vezes tão diferentes, e noutras tão iguais. Começamos a namorar no dia vinte e um de Maio de dois mil e três... até hoje!


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Bolo de chocolate e coco

Dos melhores bolos que fiz ultimamente. O uso de farinha de amêndoa, de mandioca (para os pratos salgados) de aveia, de coco ou de linhaça têm-me surpreendido imenso, pois sempre pensei que ao alterar as farinhas tradicionais, ia mudar drasticamente a consistência final das mais variadas coisas que levam farinha na sua preparação. Claro que muda ligeiramente. Mas do que tenho experimentado, tem ficado tudo igualmente saboroso e com a vantagem de serem farinhas mais saudáveis, pois não são tão processadas. Cá em casa temos alterado alguns hábitos alimentares e alguns ingredientes. As farinhas são uma delas. Deixou de entrar o pacote da farinha c/ fermento. Da farinha s/ fermento. Da farinha de milho e por aí fora. São pequeninas alterações alimentares, nada de radicalismos que cá em casa é impossível. Continuamos a comer muita coisa que nos faz mal, tenho noção disso. Mas algumas alterações tenho notado em mim e nos meus que nos trazem bem-estar a nível interior e isso sem dúvida que se reflete no nosso exterior. Se andamos menos inchados, menos enfartados, com menos problemas gastro-intestinais, isso torna-nos mais sorridentes, mais bem-dispostos e com mais qualidade de vida.

Este bolo de chocolate e coco foi apreciado por todos cá em casa e pelos colegas de trabalho do meu marido. Quando faço bolos e outras doçarias, mando várias fatias num tuperware para ele partilhar no lanche com os amigos. Pequenos gestos de partilha que não custam nada e ao mesmo tempo ajudam a fazer desaparecer as variadas gulodices que desfilam cá em casa.


Ingredientes:

- 4 ovos
- 250mL de leite (usei s/ lactose) - podem substituir p/ bebida vegetal
- 200g açúcar (usei mascavado escuro)
- 100g de chocolate em pó
- 150g de farinha de amêndoa
- 150g de farinha de aveia
- 1 colher de chá de fermento
- 80g de coco ralado

Preparação:

- Juntar os ovos, o leite e o açúcar e bater com a batedeira até formar uma mistura homogénea. Juntar de seguida todos os restantes ingredientes e misturar novamente com a batedeira até estar tudo bem ligado.

- Deitar o preparado numa forma untada e levar ao forno pré-aquecido nos 180ºC durante 30 minutos. Verificar fazendo o teste do palito.

- Desenformar depois de frio e servir.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Pedaços de mim #2 - A minha história de amor (2ª parte)

(...) Tu desististe da escola. Começaste a trabalhar e eu continuei a estudar no mesmo liceu. O nosso liceu. Foi doloroso o regresso depois daquele Verão. Não te tinha nos nossos intervalos, não tinha as nossas conversas. Fiz novos amigos e desliguei-me de quase todos os amigos antigos. Os nossos amigos em comum. Fomos um para cada lado. Deixei de te ver, mas a vida continua. E eu sou forte. E decidida. As minhas aulas continuavam e eu andava em ciências que tanto gostava. A Química e Biologia que eu adorava distraíam-me, adormeciam uma parte de mim destroçada. Até que numa Quarta-feira, num dos intervalos no liceu, saí do bloco B e lá estavas tu à minha frente. Encostado ao muro com aquela camisa azul e vermelha aos quadrados que eu tanto gostava. Queria esconder-me. Acho que deixei de saber pôr um pé à frente do outro e simplesmente andar. As minhas pernas estavam sem forças. Não sabia se havia de andar para a frente ou para trás e congelei. Estarias lá para mim? Para pedires desculpa? Para dizeres que me amavas, que foste um idiota e que querias voltar para mim? Rapidamente percebi que não. Porque vejo uma rapariga a sair do bloco e a dirigir-se a ti. Beijou-te e foste embora de mão dada com ela. E assim continuou. Todas as Quartas lá estavas tu no mesmo muro à espera dela. E eu assistia. Gostava de vos ver juntos. Parecia sentir prazer na dor de olhar para ti com ela. Mórbido, talvez. Percebi que tinha acabado. Tinha mesmo acabado e era real. Então fiz aquilo que posteriormente vim a descobrir que é o pior que se pode fazer. Comecei a namorar com um amigo. Para te esquecer. E ele gostava tanto de mim e eu tentava gostar dele da mesma forma. Mas não conseguia. Tentei com todas as minhas forças apaixonar-me por ele. E não consegui. E perdi aquele amigo. E comecei de seguida a namorar com um rapaz mais velho que eu. Sempre fui uma boa aluna e uma adolescente com juízo. Ao menos isso. Sabia bem aquilo que queria e não queria aquilo para mim. Era errado. E acabei com ele. E fiquei sozinha. Com poucos amigos. Por culpa minha. Mas era nova, tinha uma família maravilhosa e uma vida inteira pela frente. Não haveria de ficar solteira para sempre. Concentrei-me nos estudos e decidi que queria seguir enfermagem. Deixei de te ver às Quartas. Soube que tu já não namoravas. Mas não falamos. Nunca mais te vi. Nunca mais nos vimos. E assim se passou um ano e meio. (continua...)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Croquetes de atum (no forno)

Se as frituras aqui por casa já eram raras, ultimamente são mesmo quase inexistentes. Continuo a fritar batatas fritas quando nos dá aquele desejo, pois prefiro comê-las em casa em que sei a proveniência das batatas e o estado do óleo usado para fritar. Outra coisa que faço de vez em quando são os panados de frango ou perú, pois ainda não me habituei a fazê-los no forno, mas para lá caminho. Tirando isso, não costumo fazer mais fritos. E sabem qual a melhor técnica para deixar de fazer fritos? Deixar de comprar. Deixei de ter no congelador tudo aquilo que não quero comer. Rissóis, douradinhos e bolinhos de bacalhau daqueles de compra. Se nos apetece uns bolinhos de bacalhau ou uns croquetes, faço-os eu no momento, a quantidade desejada e em vez de os fritar, meto-os no forno. São igualmente saborosos e muito mais saudáveis.
Faço-os com frango, com peixe, com alheira, com atum. Os que vos trago hoje são uns croquetes de atum que fizeram as delícias dos da casa e até o meu pequeno que detesta cebola, comeu tudo e disse que estavam muito bons ;-)

Retirei esta receita recentemente de algum blog, mas não me lembro qual. Se alguém for o autor desta saborosa receita, que se acuse.


Ingredientes: (rendeu 18 croquetes médios)

- 4 a 5 batatas (podem substituir por batata doce)
- 3 latas de atum
- 3  colheres de sopa de farinha de amêndoa
- 1 cebola média picada
- 2 ovos
- Salsa/Sal/Pimenta q.b. (para temperar)
- Farinha de mandioca (para panar)

Preparação:

- Colocar as batatas partidas aos bocados, num tacho com água e sal e levar a cozer. Desfazer as batatas em puré. Reservar.

- Numa taça, juntar os ingredientes todos (excepto farinha de mandioca) e envolvê-los bem. Temperar com sal, pimenta e salsa e misturar bem.

- Untar as mãos num pouquinho de azeite e moldar croquetes do tamanho desejado.

- Passar os croquetes por farinha de mandioca e dispor num tabuleiro de ir ao forno forrado com papel vegetal e regado com azeite.


- Levar ao forno até ganhar cor. Ir virando para dourar de ambos os lados.

- Servir.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Pedaços de mim #1 - A minha história de amor (1ª parte)

Hoje não vos trago uma receita como de costume. Hoje trago-vos um conto. Real. Talvez este meu regresso traga umas novidades fora do habitual, intercalando assim com os de receitas, isto claro, se vocês gostarem de os ler. E hoje começa logo em grande, com o amor em destaque.

Quem não gosta de uma boa história de amor? Eu gosto. Daquelas reais, por vezes bem dolorosas e cheias de adversidades mas que nos deixam arrepiadas e com desejo de saber mais e mais. Não sei se a minha história de amor, será dessas arrebatadoras, mas para mim é. Para mim é A mais bonita história de amor de todos os tempos. Porque é minha, porque a vivenciei e porque perdura no tempo, pelo menos até hoje. O amanhã, não sei. Ninguém sabe e esta incógnita da vida é o que nos faz continuar a lutar todos os dias lado a lado.

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Conheci-te na adolescência. Reprovaste de ano e calhaste na minha turma. Eu namorava com o teu primo. E tu eras muito namoradeiro. Não te achava piada nenhuma. Achava-te arrogante e cheio de manias. Posso até dizer que te detestava. Mas fomos-nos conhecendo melhor e tornamos-nos amigos. Muito amigos. Estávamos sempre juntos. Dentro e fora da escola. Conversávamos tanto. Sobre tudo e mais alguma coisa. Faltamos a algumas aulas para ir jogar snooker. E tu tinhas o carteiro comprado para as cartas da escola não serem entregues em casa a não ser a ti pessoalmente. Puxaste-me a cadeira e eu caí ao chão numa aula de Geografia e foste expulso. E levaste uma falta disciplinar. E eu tive pena de ti. Mas ri-me. Rimo-nos os dois. Rimo-nos até aos dias de hoje. Eu e o teu primo terminamos. Tu continuaste a ter as tuas amigas coloridas, até que começaste a namorar com uma das minhas melhores amigas. Mas continuávamos amigos. E próximos. Cada vez mais próximos. Ela ficou doente, faltou à escola durante três dias e num desses dias, num intervalo, atrás do bloco C sentados frente a frente no chão, ficamos próximos. Cada vez mais próximos. As nossas cabeças balançavam para a frente e para trás como quem quer uma coisa mas sabe que não a pode ter. Que era errado. O coração acelerado. As mãos suadas. E beijamos-nos. Um beijo demorado e lento. O nosso primeiro beijo. Quente. Proibido. Não podia ser. Éramos só amigos. E chegamos atrasados à aula de Inglês e a professora envergonhou-nos em frente à turma toda. A tua namorada e minha amiga regressou. Mas tu já eras meu. Ela já o sabia e mesmo assim continuou a ser minha amiga, nossa amiga. Os nossos amigos já o sabiam. Mas como é que toda a gente já sabia antes de nós? Transparecíamos assim tanto desejo, cumplicidade e paixão nos nossos olhares? Fomos felizes naquele namoro. Felizes e desprovidos de qualquer responsabilidade, típica da adolescência. Mas aquele 9º ano acabou e com ele acabou a nossa curta história de amor. Disseste que eras novo demais para um namoro à séria e abandonaste-me na central de camionagem. Chorei, chorei muito. Chorei aquele Verão todo. Joguei playstation naquele Verão equivalente à minha vida toda. Fechada no quarto. A minha primeira desilusão amorosa. Seria isto o verdadeiro amor? Será que nunca mais me iria apaixonar na vida? Nunca mais iria sentir o coração a bater descompassado e o rubor na minha cara de vergonha e paixão ao mesmo tempo? Estava despedaçada. Já te disse que passei aquele Verão todo a chorar? (continua...)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Olá! Voltei...

...Quase um ano depois do último post, achei que seria uma boa fase para regressar a este meu cantinho e às receitas habituais. Esta pausa não foi premeditada, simplesmente aconteceu, mas acho que precisava disto para me focar noutras coisas que precisavam da minha atenção.

Muitas coisas aconteceram na minha vida desde então. Mudei de casa. Tive 30 dias para encontrar um novo sítio para morar. Tenho ainda metade da minha vida encaixotada. Daqui a um ano nova mudança de morada. Fiquei sem máquina fotográfica. O meu telemóvel avariou. Comprei um telemóvel melhorzito para tirar umas fotos. Continuo a cozinhar todos os dias. Não tiro fotos ao que cozinho. Tenho feito menos receitas doces. Não faço um pudim à mais de 4 meses. A minha ansiedade atingiu os píncaros. Comecei a praticar exercício regular para ajudar na minha ansiedade. Tem resultado. Fiz trails. Participei em São Silvestres. Corri sozinha. Corri acompanhada. Fiz amigos. Pensava que já estava velha demais para fazer novos amigos. Descobri que afinal, não. Mantive alguns. Eliminei outros. Continuo com o mesmo peso. Não engordo e não emagreço. Há dias em que me olho ao espelho e não gosto do que vejo. As rugas apareceram e não saem. Dizem que é de me estar sempre a rir. Sinto-me quase todos os dias uma adolescente cheia de sonhos. Mas olho para as responsabilidades em cima dos meus ombros e percebo que não. Uns dias sinto-me super feliz e super realizada. Noutros sinto-me miserável e de costas voltadas para a vida. Nuns dias agradeço por tudo o que de bom tem sido a minha vida e a dos meus. Noutros choro porque ainda me sinto incompleta. O meu filho esta semana faz seis anos. Já poderia ter outro de três. Foi melhor assim. Somos só os três em casa. Não sei se alguma vez seremos quatro. Ou cinco. As voltas que a vida dá. Somos felizes. Mas cheios de imperfeições. A nossa casa é barulhenta. Dizem que o amor faz barulho, mas não incomoda. Afinal incomoda. Porque a minha vizinha veio cá a casa queixar-se. Conheço cada vez mais pedacinhos do meu país. Um país pequeno mas com tanto para descobrir. Não viajei para fora. Mas tenho uma lista de países a visitar antes de morrer. E de restaurantes a visitar antes de morrer. E de milhentas experiências que quero vivenciar antes de morrer. Tenho tanto para fazer antes de morrer. Não perdi ninguém que me é chegado. Mas fui uma vez à capela mortuária. Continuo a não saber lidar com a morte. Continuo a não saber o que dizer nessas situações. Continuo a fingir que não existe. Mas existe. E espreita. E um dia calha-me a mim e aos meus. Não estou preparada. Vou continuar a assobiar para o ar. Pode ser que ela se esqueça de mim. O meu jeito para a escrita não melhorou. Mas gosto disto. Do blog. Do que acrescenta à minha vida. Da interacção. Da partilha. As minhas receitas continuam básicas. Às vezes os meus queixam-se da minha comida. Está insossa. Está salgada. Devia ter cozinhado mais tempo. Não gostam do aspecto. Não é a comida perfeita. Mas eu não sou perfeita. A minha vida não é perfeita. E não é, que afinal, isto tem graça é ser assim mesmo?