segunda-feira, 21 de maio de 2018

Pedaços de mim #5 - O não-pedido de casamento

Não tive um pedido de casamento como manda a tradição. Um pedido surpresa num sítio fantástico, com direito a anel e muito choro e emoção à mistura. Mas foi bom como foi. Foi simples. À nossa maneira esquisita e repentina de fazer as coisas. Resolvemos que íamos casar depois de um dia muito, muito mau para ti. Secalhar um dos piores dias da tua vida até hoje. Foi de repente. Assim, do nada. Chegaste lá a casa em lágrimas e disseste 'Vou sair de casa, anda viver comigo'. Era Novembro. E eu aceitei, com uma condição. Tínhamos que casar pela Igreja. Tu aceitaste, também o querias. E começaram os planos. Assim, simples quanto isto. No dia a seguir fomos à Igreja e marcamos o casamento para o trinta e um de Março. E no dia a seguir voltamos lá para desmarcar. Remarcamos para Maio. Foi uma surpresa para alguns familiares, até para os meus pais. Depois de muitos anos de namoro, já se previa, mas não assim num repente e num curto espaço de tempo. Entregamos alguns convites e ouvimos um 'estás grávida, Joana?', 'é por isso que vão casar às pressas?' Poderia ser. Mas não. Circunstâncias da vida que não são para aqui chamadas apenas apressaram esse nosso desejo de vida em comum. Procuramos um ninho para viver. O nosso ninho. Encontramos em pouco tempo. Um T2 pequenino, mas aconchegante. E marcamos escritura. Recebemos a chave. É nosso. E fugimos para lá num dia à noite, ainda sem luz e deitados lado a lado no chão da sala ainda vazia, sonhamos os dois. Com o caminho percorrido até ali, desde os nossos tempos de liceu. E com o tanto que ainda queríamos percorrer. Juntos. Conseguimos. Depois disto tudo decidido e organizado, aí sim. Levaste-me ao parque. E veio o pedido meio atabalhoado de casamento e o anel. No mesmo banco de jardim onde me pediste em namoro cinco anos antes. Não te ofereci um relógio, como dizem que é a tradição. Tu não ligaste muito. E assim começaram os preparativos para o nosso grande dia.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Bolo de laranja e coco

Existirá alguém que não goste de bolos? Acho que não, pois não? Uns são adeptos de bolos cheios de recheios, outros gostam dos bolos caseiros e simples, há ainda quem goste de bolos em doses individuais, mas acho que toda a gente aprecia uma boa fatia de bolo que nos adoça o palato. Cá em casa somos adeptos dos bolos caseiros e simples. As montras de bolos que vemos nas padarias quando lá vamos, não nos seduzem em nada, nem sequer ao mais novo. Já os variados tipos de pão que lá se encontram, isso sim é outra história... Por isso, e para não variar, sai mais um bolo daqueles simples de laranja e coco. Não ficou amarelinho e fofinho, tipo nuvem, pois deixei de usar açúcar branco (à excepção do açúcar em pó - mas está quase, é só acabar o que tenho em casa) e farinhas refinadas, mas garanto-vos que de sabor e textura ficou maravilhoso.


 Adaptado daqui
Ingredientes:

- 3 ovos
- 150 g. açúcar amarelo
- 1 c.sopa de manteiga à temperatura ambiente
- 200mL leite (usei s/ lactose)
- 100g. coco ralado
- 120g. farinha de aveia
- 120g. de farinha de amêndoa
- 50g. farinha de linhaça dourada
- 1 c.chá de fermento em pó
- Raspa e sumo de 1 laranja

Preparação:

- Numa bacia, juntar os ovos e o açúcar e misturar bem com a batedeira eléctrica.

- Juntar depois os restantes ingredientes e bater mais um pouco com a batedeira para envolver bem.

- Verter o conteúdo para uma forma untada e enfarinhada e levar ao forno a 180ºC entre 30/40minutos (dependendo do forno) e retirar logo o bolo do forno para não secar.

- Depois de frio e desenformado, fazer uns furinhos no bolo com um palito e regá-lo com um pouco de sumo de laranja.

- Decorar a gosto. Servir.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Tiras de frango de cebolada e couve-roxa

(não entendo porque é que existe a opção agendar posts - os meus nunca saem sem ser manualmente :-( grrrrr)

Maio é um mês especial cá em casa. É o nosso mês de celebração do amor. Foi em Maio que começamos a namorar e cinco anos depois, também o mês em que casamos. Dantes a celebração era a dois, agora a três, mas que em nada atrapalha os nossos planos, pelo contrário, completa e dá mais sentido ao nosso amor e união. É o mês de Nossa Senhora de Fátima, que mesmo sendo uma pessoa cheia de dúvidas e incertezas em relação à minha fé, sinto esta época com especial devoção. Em Maio as temperaturas amenas costumam ser mesmo ao meu jeito e é também em Maio que cá em casa 'abrimos' a época oficial dos piqueniques e por vezes, da praia. Por isso, Maio tem tudo para ser um mês desfrutado ao máximo. Assim espero.

Hoje, trago-vos uma sugestão bem fácil de confeccionar, como de costume, e saborosa. Tiras de frango de cebolada e couve-roxa. Assim uma refeição levezinha com uma salada acompanhar, ideal para estes dias mais quentes, que temos sentido. Espero que gostem!

Ingredientes:

- Bifes ou peito de frango
- Azeite
- 1 cebola grande
- Couve roxa partida às tirar
- Coentros, sal e pimenta preta q.b

Preparação:

- Partir os bifes ou peito de frango às tiras e reservar.

- Num tacho grelhador/wok/frigideira deitar um fio de azeite e deixar aquecer. Juntar as tiras do frango e deixar grelhar/cozinhar. Quando começar a ganhar cor, adicionar as rodelas de cebola e a couve roxa(juntam no início com o frango, ou mais tarde, dependendo do grau que gostem que a cebola e a couve fiquem cozinhadas... Muito corada ou pouco).

- Temperar com sal, pimenta preta e coentros e deixar grelhar bem. Ir mexendo.

- Servir!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Pedaços de mim #5 - Mudança de casa

Costumo dizer que a nossa vida tem bichinhos carpinteiros. Por cá, há sempre algo acontecer, uma animação constante. Mas há fases em que o que precisamos é de tranquilidade, de ganhar fôlego para novas ideias que vão surgindo.

Ora, como vos contei aquando do meu regresso, neste post, o ano passado estávamos nós a iniciar uma dessas fases tranquilas, depois das várias burocracias em relação à compra do terreno. Ainda não tínhamos começado a construção e portanto, havia ali um intervalo de acalmia, quando recebi um telefonema da imobilária a dizer que tínhamos potenciais compradores para o nosso apartamento.
Depois da visita, tivemos a confirmação. Estavam interessados. Queriam comprar. E nós queríamos vender. Estavam então reunidas todas as condições para a venda, não fosse o pequeno senão de o comprador querer mudar para lá no espaço de trinta dias. What???
Leram bem, tivemos trinta dias para encontrar um novo sítio para morar. O mercado de arrendamento andava louco. Talvez ainda andará, não sei. Ou não existiam apartamentos com tipologia compatível com o que queríamos, ou os que existiam precisariam de muitas obras e não ficariam prontos no tempo recorde que precisávamos ou pior ainda, pediam rendas escandalosas e inacessíveis para os nossos bolsos. 

E pronto, lá se foi o nosso intervalo de acalmia e ingressamos na louca aventura da busca por um sítio para morarmos.


Foi difícl, mas conseguimos. Por isso, atualmente, estamos a viver em pleno centro de uma outra cidade que não a nossa (eu nunca vivi numa zona central), mudamos de um rés-do-chão para um 4º andar e temos metade da nossa vida encaixotada. Temos apenas o essencial. Não tenho cortinas, não tenho carpetes grandes e fofinhas, mas vive-se. Dei o meu toque pessoal para o tornar mais aconchegante e já estamos completamente adaptados ao barulho de fundo.

Daqui a um tempinho, nova mudança, desta feita para uma zona fora do centro, lá no alto de uma rua sem saída, onde o barulho será bem menor, mas onde não terei o conforto de descer e ter multibanco, padaria, mercearia, farmácia tudo ali nas ruas circundantes.
São muitas mudanças em pouco tempo, mas nós como sempre, adaptamos-nos e desta vez não será diferente. A ver vamos...

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Paté de sardinha (s/ maionese)

Cá em casa o uso da maionese era exclusivo para patés. Como não fazia amiúde esse petisco, o frasco acabava sempre por ficar inutilizado, mesmo que a maionese tivesse com bom aspecto eu própria olhava para o frasco com cara desconfiada e acabava sempre no caixote do lixo.

Por isso, desde que aprendi a dica de substituir a maionese por queijo quark ou por iogurte grego natural, passei a fazer este petisco mais vezes. Cá em casa são dois ingredientes que nunca faltam e se podemos aliar o sabor ao facto de serem ingredientes mais saudáveis em comparação da maionese, é fácil de fazer as contas. Este paté de sardinha é muito apreciado por todos cá em casa e dá uma bela entrada para um almoço de Domingo em que gosto sempre de preparar umas entradinhas, mesmo que sejamos apenas os três à mesa.


Ingredientes:

- 1 lata de sardinhas em tomate (conserva)
- 1 cebola pequena picada
- 1 ovo cozido
- Salsa fresca picada (a gosto)
- Sal e pimenta ( a gosto)
- Queijo quark (a gosto)

Preparação:

- Retirar a espinha central das sardinhas (ou não) e esmagar com um garfo.

- Juntar a cebola picada, a salsa picada, o ovo cozido aos bocadinhos e envolver até formar uma pasta homogénea.

- Temperar com sal e pimenta, juntar o quark até obter a consistência desejada e ralar com a varinha mágica até formar uma pasta homogénea (ou apenas com o garfo, se gostar de um paté com mais grumos).

- Decorar com salsa picada por cima. Guardar no frigorífico antes de servir.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Páscoa 2018 - Por cá! - Bolo de leite

Por vezes gostava de ser um polvo para ter muitos braços e conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo. Também gostava de ser um elefante, pois ao que parece eles teem boa memória e assim poderia ser que deixasse de ser tão despistada. Mas são tantas coisas acontecer ao mesmo tempo que será normal - digo eu - que alguma dessas tarefas sejam esquecidas pelo meio. Secalhar, o que eu precisava mesmo era de ser um falcão-peregrino para voar a alta velocidade e aí sim, poderia ser que as vinte e quatro horas fossem suficientes para tudo o que eu preciso de fazer. Se uns dias até são mais calmos, outros são bem caóticos, sempre com aquela sensação de estar sempre atrasada para tudo, mesmo que esse atraso sejam dez minutos - mas eu detesto chegar atrasada.


Posto isto, sou humana. Sou mulher. Sou mãe. Sou esposa. Sou trabalhadora dentro de casa. Sou trabalhadora fora de casa. Sou filha. Sou neta. Sou sobrinha. Sou amiga. Sou ouvinte. Sou 'psicóloga'. Sou desportista. Ou tento, vá. E tenho um blog de receitas. Que nem sempre está actualizado como queria. Nem com as fotos como deveriam ser. Nem com receitas mais complexas e temáticas, como gostava.  Mas, adoro andar por aqui na blogosfera e espero que vocês entendam, mesmo que não aprendam a cozinhar nada comigo - que também não é esse o meu objetivo, pelo menos que tirem daqui algumas ideias e que vos inspire  nas refeições do dia-a-dia. Na realidade, este meu cantinho, transmite verdadeiramente a minha essência. Cá em casa é tudo muito simples, com as refeições igualmente descomplicadas, mas tudo verdadeiro. E sim, talvez isso seja mesmo o mais importante. Sermos nós próprios, sem imitações. 

E porque nesta Páscoa não consegui comprar decoração nenhuma alusiva a esta época para a minha morada atual. Também não me foi possível fazer nenhuma receita tradicional. Mas, deixo-vos com uma receita de bolo de leite que fiz numa dia da passada semana, já muito tarde, que foi provado ainda quente e acompanhado de uma chávena de chá na varanda da sala no silêncio da noite. E soube tão bem. Um pequeno momento de relaxe, de felicidade, que é um balão de oxigénio para continuar no dia a seguir ao estado de stress em que nos encontramos.


Receita adaptada daqui

Ingredientes:

- 4 ovos
- 150gr. açúcar (usei amarelo)
- 180 gr. de farinha de aveia
- 80 gr. de farinha de linhaça dourada
- 200mL de leite (ou bebida vegetal)
- 20mL de azeite
- 1 colher de chá de fermento em pó
- Açúcar em pó e canela para polvilhar

Preparação:

- Numa taça colocar o açúcar e os ovos e misturar bem.

- Acrescentar depois os restantes ingredientes e bater bem com a batedeira até formar um creme homogéneo.

- Deitar o preparado numa forma untada e enfarinhada e levar ao forno a 180ºC durante 30 minutos até estar cozido (fazer o teste do palito).

- Retirar do forno, deixar arrefecer um pouco e desenformar.

- Polvilhar com açúcar em pó e canela (opcional).

- Servir.



sexta-feira, 30 de março de 2018

Páscoa 2018 - Sugestão de pratos salgados

E porque a vida não são só doces, e nós por cá somos apreciadores de comida de verdade e bons pratos salgados. Hoje, trago-vos algumas sugestões que podem ser do vosso agrado para esta época festiva.
Não vos trago receitas de leitão, de borrego nem de cabrito assado no forno (que tanto adoro), mas sim umas sugestões mais singelas, o habitual por aqui, mas nem por isso menos saborosas.

Como umas entradas para abrir o apetite sugiro:

Uma quiche de frango sem natas servida em fatias é sempre uma boa opção.
Quiche de frango sem natas
E porque não umas bolinhas de atum e grão-de-bico no forno? São saudáveis e desaparecem num instante. Porque tudo o que é servido em doses individuais faz sempre um brilharete.
Bolinhas de atum e grão-de-bico no forno

Umas favas salteadas com bife e bacon, apesar de obrigarem ao uso de faca e garfo, é uma sugestão tão gulosa, que não resisti em juntá-la à nossa mesa de Páscoa.
Favas salteadas com bife e bacon
No outro dia visitei um restaurante muito simples aqui perto, onde comi as melhores pataniscas de bacalhau que conheço. Estavam tão levezinhas, que parecia que estava a comer uma nuvem de  batata e bacalhau. Estas minhas são mais densas, mas garanto-vos que ficam muito boas e bonitas na mesa.
Pataniscas de bacalhau
E para terminar, servir umas tostas acompanhadas de um paté de atum e delícias do mar (sem maionese). E pronto, fica ou não fica o ramalhete bem composto com estas sugestões de entrada?
Paté de atum e delícias do mar (sem maionese)
Para pratos principais:

Começamos com uma caldeirada de lulas. Assim daquelas comidinhas de conforto que sabem tãooooo bem.
Caldeirada de lulas
Bacalhau com natas é aquele prato que quase toda a gente gosta. Que rende muito e dá relativamente pouco trabalho. É o fiel amigo e basta, não é preciso dizer mais nada.
Bacalhau com natas (c/ batata-frita)
E porque Páscoa não tem que ser sinónimo de comidas pesadas, podemos sempre continuar no registo diário e optar por uma comidinha saborosa e mais saudável. Por isso umas tiras de perú de cebolada c/ tomate ou apenas simples grelhadas, acompanhadas de um arroz branco com bróculos. Porque não?
Tiras de perú de cebolada e tomate
Carne de porco com castanhas, não rima apenas com Outono. Rima também com Primavera, ainda para mais uma Primavera tímida como esta. Cá em casa é uma refeição que gostamos muito e que ultimamente tenho substituido a carne de porco por frango ou perú, que fica igualmente saborosa. Experimentem!
Carne de porco com castanhas