quarta-feira, 18 de abril de 2018

Pedaços de mim #5 - Mudança de casa

Costumo dizer que a nossa vida tem bichinhos carpinteiros. Por cá, há sempre algo acontecer, uma animação constante. Mas há fases em que o que precisamos é de tranquilidade, de ganhar fôlego para novas ideias que vão surgindo.

Ora, como vos contei aquando do meu regresso, neste post, o ano passado estávamos nós a iniciar uma dessas fases tranquilas, depois das várias burocracias em relação à compra do terreno. Ainda não tínhamos começado a construção e portanto, havia ali um intervalo de acalmia, quando recebi um telefonema da imobilária a dizer que tínhamos potenciais compradores para o nosso apartamento.
Depois da visita, tivemos a confirmação. Estavam interessados. Queriam comprar. E nós queríamos vender. Estavam então reunidas todas as condições para a venda, não fosse o pequeno senão de o comprador querer mudar para lá no espaço de trinta dias. What???
Leram bem, tivemos trinta dias para encontrar um novo sítio para morar. O mercado de arrendamento andava louco. Talvez ainda andará, não sei. Ou não existiam apartamentos com tipologia compatível com o que queríamos, ou os que existiam precisariam de muitas obras e não ficariam prontos no tempo recorde que precisávamos ou pior ainda, pediam rendas escandalosas e inacessíveis para os nossos bolsos. 

E pronto, lá se foi o nosso intervalo de acalmia e ingressamos na louca aventura da busca por um sítio para morarmos.


Foi difícl, mas conseguimos. Por isso, atualmente, estamos a viver em pleno centro de uma outra cidade que não a nossa (eu nunca vivi numa zona central), mudamos de um rés-do-chão para um 4º andar e temos metade da nossa vida encaixotada. Temos apenas o essencial. Não tenho cortinas, não tenho carpetes grandes e fofinhas, mas vive-se. Dei o meu toque pessoal para o tornar mais aconchegante e já estamos completamente adaptados ao barulho de fundo.

Daqui a um tempinho, nova mudança, desta feita para uma zona fora do centro, lá no alto de uma rua sem saída, onde o barulho será bem menor, mas onde não terei o conforto de descer e ter multibanco, padaria, mercearia, farmácia tudo ali nas ruas circundantes.
São muitas mudanças em pouco tempo, mas nós como sempre, adaptamos-nos e desta vez não será diferente. A ver vamos...

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Paté de sardinha (s/ maionese)

Cá em casa o uso da maionese era exclusivo para patés. Como não fazia amiúde esse petisco, o frasco acabava sempre por ficar inutilizado, mesmo que a maionese tivesse com bom aspecto eu própria olhava para o frasco com cara desconfiada e acabava sempre no caixote do lixo.

Por isso, desde que aprendi a dica de substituir a maionese por queijo quark ou por iogurte grego natural, passei a fazer este petisco mais vezes. Cá em casa são dois ingredientes que nunca faltam e se podemos aliar o sabor ao facto de serem ingredientes mais saudáveis em comparação da maionese, é fácil de fazer as contas. Este paté de sardinha é muito apreciado por todos cá em casa e dá uma bela entrada para um almoço de Domingo em que gosto sempre de preparar umas entradinhas, mesmo que sejamos apenas os três à mesa.


Ingredientes:

- 1 lata de sardinhas em tomate (conserva)
- 1 cebola pequena picada
- 1 ovo cozido
- Salsa fresca picada (a gosto)
- Sal e pimenta ( a gosto)
- Queijo quark (a gosto)

Preparação:

- Retirar a espinha central das sardinhas (ou não) e esmagar com um garfo.

- Juntar a cebola picada, a salsa picada, o ovo cozido aos bocadinhos e envolver até formar uma pasta homogénea.

- Temperar com sal e pimenta, juntar o quark até obter a consistência desejada e ralar com a varinha mágica até formar uma pasta homogénea (ou apenas com o garfo, se gostar de um paté com mais grumos).

- Decorar com salsa picada por cima. Guardar no frigorífico antes de servir.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Páscoa 2018 - Por cá! - Bolo de leite

Por vezes gostava de ser um polvo para ter muitos braços e conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo. Também gostava de ser um elefante, pois ao que parece eles teem boa memória e assim poderia ser que deixasse de ser tão despistada. Mas são tantas coisas acontecer ao mesmo tempo que será normal - digo eu - que alguma dessas tarefas sejam esquecidas pelo meio. Secalhar, o que eu precisava mesmo era de ser um falcão-peregrino para voar a alta velocidade e aí sim, poderia ser que as vinte e quatro horas fossem suficientes para tudo o que eu preciso de fazer. Se uns dias até são mais calmos, outros são bem caóticos, sempre com aquela sensação de estar sempre atrasada para tudo, mesmo que esse atraso sejam dez minutos - mas eu detesto chegar atrasada.


Posto isto, sou humana. Sou mulher. Sou mãe. Sou esposa. Sou trabalhadora dentro de casa. Sou trabalhadora fora de casa. Sou filha. Sou neta. Sou sobrinha. Sou amiga. Sou ouvinte. Sou 'psicóloga'. Sou desportista. Ou tento, vá. E tenho um blog de receitas. Que nem sempre está actualizado como queria. Nem com as fotos como deveriam ser. Nem com receitas mais complexas e temáticas, como gostava.  Mas, adoro andar por aqui na blogosfera e espero que vocês entendam, mesmo que não aprendam a cozinhar nada comigo - que também não é esse o meu objetivo, pelo menos que tirem daqui algumas ideias e que vos inspire  nas refeições do dia-a-dia. Na realidade, este meu cantinho, transmite verdadeiramente a minha essência. Cá em casa é tudo muito simples, com as refeições igualmente descomplicadas, mas tudo verdadeiro. E sim, talvez isso seja mesmo o mais importante. Sermos nós próprios, sem imitações. 

E porque nesta Páscoa não consegui comprar decoração nenhuma alusiva a esta época para a minha morada atual. Também não me foi possível fazer nenhuma receita tradicional. Mas, deixo-vos com uma receita de bolo de leite que fiz numa dia da passada semana, já muito tarde, que foi provado ainda quente e acompanhado de uma chávena de chá na varanda da sala no silêncio da noite. E soube tão bem. Um pequeno momento de relaxe, de felicidade, que é um balão de oxigénio para continuar no dia a seguir ao estado de stress em que nos encontramos.


Receita adaptada daqui

Ingredientes:

- 4 ovos
- 150gr. açúcar (usei amarelo)
- 180 gr. de farinha de aveia
- 80 gr. de farinha de linhaça dourada
- 200mL de leite (ou bebida vegetal)
- 20mL de azeite
- 1 colher de chá de fermento em pó
- Açúcar em pó e canela para polvilhar

Preparação:

- Numa taça colocar o açúcar e os ovos e misturar bem.

- Acrescentar depois os restantes ingredientes e bater bem com a batedeira até formar um creme homogéneo.

- Deitar o preparado numa forma untada e enfarinhada e levar ao forno a 180ºC durante 30 minutos até estar cozido (fazer o teste do palito).

- Retirar do forno, deixar arrefecer um pouco e desenformar.

- Polvilhar com açúcar em pó e canela (opcional).

- Servir.



sexta-feira, 30 de março de 2018

Páscoa 2018 - Sugestão de pratos salgados

E porque a vida não são só doces, e nós por cá somos apreciadores de comida de verdade e bons pratos salgados. Hoje, trago-vos algumas sugestões que podem ser do vosso agrado para esta época festiva.
Não vos trago receitas de leitão, de borrego nem de cabrito assado no forno (que tanto adoro), mas sim umas sugestões mais singelas, o habitual por aqui, mas nem por isso menos saborosas.

Como umas entradas para abrir o apetite sugiro:

Uma quiche de frango sem natas servida em fatias é sempre uma boa opção.
Quiche de frango sem natas
E porque não umas bolinhas de atum e grão-de-bico no forno? São saudáveis e desaparecem num instante. Porque tudo o que é servido em doses individuais faz sempre um brilharete.
Bolinhas de atum e grão-de-bico no forno

Umas favas salteadas com bife e bacon, apesar de obrigarem ao uso de faca e garfo, é uma sugestão tão gulosa, que não resisti em juntá-la à nossa mesa de Páscoa.
Favas salteadas com bife e bacon
No outro dia visitei um restaurante muito simples aqui perto, onde comi as melhores pataniscas de bacalhau que conheço. Estavam tão levezinhas, que parecia que estava a comer uma nuvem de  batata e bacalhau. Estas minhas são mais densas, mas garanto-vos que ficam muito boas e bonitas na mesa.
Pataniscas de bacalhau
E para terminar, servir umas tostas acompanhadas de um paté de atum e delícias do mar (sem maionese). E pronto, fica ou não fica o ramalhete bem composto com estas sugestões de entrada?
Paté de atum e delícias do mar (sem maionese)
Para pratos principais:

Começamos com uma caldeirada de lulas. Assim daquelas comidinhas de conforto que sabem tãooooo bem.
Caldeirada de lulas
Bacalhau com natas é aquele prato que quase toda a gente gosta. Que rende muito e dá relativamente pouco trabalho. É o fiel amigo e basta, não é preciso dizer mais nada.
Bacalhau com natas (c/ batata-frita)
E porque Páscoa não tem que ser sinónimo de comidas pesadas, podemos sempre continuar no registo diário e optar por uma comidinha saborosa e mais saudável. Por isso umas tiras de perú de cebolada c/ tomate ou apenas simples grelhadas, acompanhadas de um arroz branco com bróculos. Porque não?
Tiras de perú de cebolada e tomate
Carne de porco com castanhas, não rima apenas com Outono. Rima também com Primavera, ainda para mais uma Primavera tímida como esta. Cá em casa é uma refeição que gostamos muito e que ultimamente tenho substituido a carne de porco por frango ou perú, que fica igualmente saborosa. Experimentem!
Carne de porco com castanhas

segunda-feira, 26 de março de 2018

Páscoa 2018 - Sugestão de pratos doces

Na nossa mesa de Páscoa não podem faltar os docinhos. Uns mais tradicionais, outros menos típicos desta época, mas nem por isso menos saborosos.
Por cá, não temos a tradição do folar, mas pão-de-ló, cocos e doces amarelos e brancos não podem faltar na nossa mesa.
O que vos trago hoje, não são receitas tradicionais de doces de Páscoa, mas sim outras receitas igualmente docinhas que seleccionei para vós e que com toda a certeza ficariam bem nas vossas mesas por estes dias.

Espero que gostem!

Cá em casa, seja qual for a festa tem que ter na mesa um pudim. Deixo-vos a sugestão deste pudim de pão que fica sempre alto, brilhante e muito saboroso.

Pudim de pão
Um bolo/tarte de morango é um doce que convém ser servido fresco. É um bolo maravilhoso e que combina com Primavera, estação que se inicia e dá cor e alegria a uma mesa de Páscoa.

Bolo/tarte de morango
Para quem não é apreciador de pão-de-ló, mas gosta daquele típico bolo de chá. Esta é uma boa sugestão para este dia festivo. Um bolo que pode ser servido simples ou então deem-lhe um upgrade como eu fiz, com uma cobertura de leite condensado.

Bolo simples com cobertura de leite condensado
E porque as sobremesas em formas individuais fazem sempre sucesso e desaparecem num instante, nada melhor que acrescentar à mesa umas queijadinhas de iogurte. Mas o melhor é dobrar a receita se as visitas forem muitas. Todos vão querer provar uma.

Queijadinhas de iogurte
Umas bolachinhas caseiras para acompanhar o café é uma sugestão muito bem-vinda por estes lados. Não só na Páscoa mas sempre que nos apetecer um doce e já agora, para contrastar com o amargo típico (mas tão bom) do café. Estas de coco e gengibre também teem aquele travozinho picante o que as tornam bem saborosas para serem degustadas neste dia de Páscoa.

Bolachas de coco e gengibre

E finalmente, deixo-vos como sugestão uma sobremesa com fruta mas igualmente doce. Porque o tempo ainda vai ameno e ainda sabe bem comer umas maçãs assadas no forno quentinhas

Maçãs assadas no forno

quinta-feira, 22 de março de 2018

Esparguete com atum e cogumelos

A Páscoa é já no final da próxima semana. Mas como. Já? Por cá, ainda não decorei a sala como costumo fazer. Ainda não tenho na mesa de jantar da sala o prato com as amêndoas e a garrafa do vinho do Porto para as visitas. Ainda não elaborei a lista com os doces que vou fazer. Ainda não comprei as lembranças dos padrinhos e muito menos o folar para o afilhado do marido. Este ano não me vejo entusiasmada com a Páscoa como de costume, apesar de ser uma festa familiar que eu aprecio bastante. Por isso, enquanto por aqui não tem aparecido muitos pratos doces como antigamente e muito menos sugestões de doces de Páscoa, fiquemos-nos por um prato muito simples mas muito saboroso. Massa esparguete com atum e cogumelos. Cá em casa tenho o hábito de uma vez por semana fazer um prato que leve atum. E este é daqueles ideais para se fazer num jantar de dia da semana, porque faz-se rapidinho e no final sobra tempo para se dedicarem a outras tarefas diárias.

Ingredientes:

- 1/2 cebola picada
- 1 dente de alho picado
- Azeite
- Esparguete (quantidade a gosto)
- 1 lata de cogumelos laminados
- Repolho cortado em tiras finas (quantidade a gosto)
- 2 latas de atum em conserva (em azeite ou em água)
- 1 pacote de natas de culinária (só usei metade)
- Queijo mozarella ralado
- Sal e pimenta (q.b)
- Oregãos

Preparação:

- Levar a esparguete a cozer, numa panela com água fervente e sal. Deixar cozer até ficar al dente (10minutos). No final escorrer a água, regar com um fio de azeite e mexer.

- Enquanto a massa coze...

- Numa frigideira, regar com azeite, colocar a cebola e alho picados e deixar refogar até que a cebola fique translúcida.

- Juntar o repolho cortado em tiras finas e deixar saltear até o repolho ficar mais translúcido. Juntar depois os cogumelos e temperar com sal e pimenta a gosto.

- Adicionar por fim o atum e as natas (quantidade a gosto), mexer e deixar cozinhar.

- Empratar com a esparguete no fundo do prato, colocar por cima a mistura do salteado de cogumelos e atum e polvilhar com queijo ralado e oregãos.

- Servir!


Opcional: Juntar a esparguete diretamente na frigideira, misturar tudo e juntar o queijo ralado e os oregãos. Servir posteriormente tudo misturado. 

segunda-feira, 19 de março de 2018

Inspirações casa nova #4 - A minha nova cozinha

Era uma vez, um jovem casal, cheios de ideias e ambições. Que não estando satisfeitos com a sua vidinha do dia a dia já com as preocupações do costume, as profissões de cada um, um filho pequeno para cuidar e tudo o que envolve a típica dinâmica familiar, apenas com umas pontuais ajudas externas, decidiram dedicar-se a um outro projeto.
Começaram por comprar um terreno. Depois colocaram o apartamento em que viviam no mercado imobiliário para venda e finalmente começaram com a longa saga da construção de uma casa de raíz. Uma verdadeira saga, leram bem...

Isto da construção de uma casa demora imenso tempo. É muita papelada, muita burocracia. Finalmente, quando começa a construção propriamente dita, percebe-se que o que está no papel, quando aplicado à realidade não fica como idealizamos, por isso nada melhor que deitar umas paredes abaixo e mudar portas de sítio e trocar umas divisões... Vai daí, a casa ainda está apenas concluída de pedreiro e começa agora a próxima fase.

Open space - cozinha, sala de jantar e estar a todo o comprimento da casa

Andamos muito entusiasmados com esta nova fase e eu continuo a sonhar e ansiosa com a parte dos acabamentos, das escolhas das louças, das tintas, das madeiras, da disposição dos móveis, da decoração... Embora saiba que essa fase é ultra-desafiante e cansativa, também será certamente a mais bonita e divertida.

Depois... Depois espero que tenhamos saúde, para podermos desfrutar da nossa nova casa em família, de passarmos bons momentos nela e criarmos memórias. Simplesmente vivermos. Sim, é isso.