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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Pedaços de mim #6 - O casamento

Dia 24 de Maio de 2008...

...Dizem que dá azar ver a noiva antes do casamento, não é? Não deu, pelo menos até aos dias de hoje. Nós vimos-nos. De manhãzinha. Levamos o teu peugeot azul, que ainda o temos, paramos em frente à Igreja e enfeitamos-los os dois, com fitinhas brancas em tule branco. Queríamos sair nele depois de casados. Queríamos ir apenas os dois naquele carro depois de casados. Embora, nos dissessem que isso não se usava e que devíamos ir no carro do padrinho guiados por ele. Nós não somos tradicionais, nunca fomos e não era nesse dia que íamos ser diferentes. Tu estavas nervoso. Muito nervoso. Mais que eu. Ligaste-me quase na hora de sair de casa e disseste-me que não conseguias sair da casa-de-banho. A sério? Não pode ser. - Toma qualquer coisa e anda daí. Não me deixes pendurada na Igreja. Disse-te. E quando lá cheguei, estavas tu à minha espera. Pelo vidro do carro vi-te a entrar de braço dado com a tua mãe. E depois entrei eu de braço dado com o meu pai em direção ao altar. Não estava nervosa, curioso. Eu, que fico nervosa com tantas coisas e que fico facilmente ruborizada de nervosismo. Não estava. O casamento pela Igreja foi inesquecível e não foram por boas razões. O Padre passou o casamento a falar de divórcio. A prática dele foi sobre o divórcio. Deu-nos imensas achegas sobre o divórcio e por isso o nosso casamento é relembrado até aos dias de hoje pelos nossos familiares por essas razões. Não percebemos nada do que se passou e ficamos chateados na altura. Eu que andei na catequese até ter dezoito anos. O meu pai era catequista. Tu que foste leitor tantos anos e naquele dia, no nosso grande dia, o padre lembrou-se de dissertar sobre aquele tema maravilhoso, imagine-se só, num casamento. Já passou e até parece ter surtido efeito, pelo menos até ao dia de hoje não nos separamos. Até ver. Nunca se sabe o que o futuro nos reserva e eu não sou daquelas que acredita em histórias de amor sem pedras no caminho. O dia continuou alegre e divertido junto dos nossos. Diz quem foi, que foi uma festa muito bonita. Nós acreditamos que sim. Éramos jovens, acabados de entrar na casa dos vinte e toda a gente nos dizia que parecíamos mais velhos por conseguirmos estar a concretizar e a planear as coisas tão certinhas e com tanta cabeça. Mal sabem eles que noutras coisas somos tão destrambelhados, até hoje. A madrugada chegou. A festa acabou. E o verdadeiro significado do casamento acabou de começar. Já lá vão dez anos. Um filho em comum. Que já poderiam ser dois. Muitas pedras no caminho. Que as fomos atirando para o lado, uma por uma e avançamos. De mãos dadas. Nem sempre. Porque um casamento é feito disso mesmo. Uns dias muito bons e outros muito maus. Mas, meu amor, estás preparado para mais dez?

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Pedaços de mim #5 - O não-pedido de casamento

Não tive um pedido de casamento como manda a tradição. Um pedido surpresa num sítio fantástico, com direito a anel e muito choro e emoção à mistura. Mas foi bom como foi. Foi simples. À nossa maneira esquisita e repentina de fazer as coisas. Resolvemos que íamos casar depois de um dia muito, muito mau para ti. Secalhar um dos piores dias da tua vida até hoje. Foi de repente. Assim, do nada. Chegaste lá a casa em lágrimas e disseste 'Vou sair de casa, anda viver comigo'. Era Novembro. E eu aceitei, com uma condição. Tínhamos que casar pela Igreja. Tu aceitaste, também o querias. E começaram os planos. Assim, simples quanto isto. No dia a seguir fomos à Igreja e marcamos o casamento para o trinta e um de Março. E no dia a seguir voltamos lá para desmarcar. Remarcamos para Maio. Foi uma surpresa para alguns familiares, até para os meus pais. Depois de muitos anos de namoro, já se previa, mas não assim num repente e num curto espaço de tempo. Entregamos alguns convites e ouvimos um 'estás grávida, Joana?', 'é por isso que vão casar às pressas?' Poderia ser. Mas não. Circunstâncias da vida que não são para aqui chamadas apenas apressaram esse nosso desejo de vida em comum. Procuramos um ninho para viver. O nosso ninho. Encontramos em pouco tempo. Um T2 pequenino, mas aconchegante. E marcamos escritura. Recebemos a chave. É nosso. E fugimos para lá num dia à noite, ainda sem luz e deitados lado a lado no chão da sala ainda vazia, sonhamos os dois. Com o caminho percorrido até ali, desde os nossos tempos de liceu. E com o tanto que ainda queríamos percorrer. Juntos. Conseguimos. Depois disto tudo decidido e organizado, aí sim. Levaste-me ao parque. E veio o pedido meio atabalhoado de casamento e o anel. No mesmo banco de jardim onde me pediste em namoro cinco anos antes. Não te ofereci um relógio, como dizem que é a tradição. Tu não ligaste muito. E assim começaram os preparativos para o nosso grande dia.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Pedaços de mim #5 - Mudança de casa

Costumo dizer que a nossa vida tem bichinhos carpinteiros. Por cá, há sempre algo acontecer, uma animação constante. Mas há fases em que o que precisamos é de tranquilidade, de ganhar fôlego para novas ideias que vão surgindo.

Ora, como vos contei aquando do meu regresso, neste post, o ano passado estávamos nós a iniciar uma dessas fases tranquilas, depois das várias burocracias em relação à compra do terreno. Ainda não tínhamos começado a construção e portanto, havia ali um intervalo de acalmia, quando recebi um telefonema da imobilária a dizer que tínhamos potenciais compradores para o nosso apartamento.
Depois da visita, tivemos a confirmação. Estavam interessados. Queriam comprar. E nós queríamos vender. Estavam então reunidas todas as condições para a venda, não fosse o pequeno senão de o comprador querer mudar para lá no espaço de trinta dias. What???
Leram bem, tivemos trinta dias para encontrar um novo sítio para morar. O mercado de arrendamento andava louco. Talvez ainda andará, não sei. Ou não existiam apartamentos com tipologia compatível com o que queríamos, ou os que existiam precisariam de muitas obras e não ficariam prontos no tempo recorde que precisávamos ou pior ainda, pediam rendas escandalosas e inacessíveis para os nossos bolsos. 

E pronto, lá se foi o nosso intervalo de acalmia e ingressamos na louca aventura da busca por um sítio para morarmos.


Foi difícl, mas conseguimos. Por isso, atualmente, estamos a viver em pleno centro de uma outra cidade que não a nossa (eu nunca vivi numa zona central), mudamos de um rés-do-chão para um 4º andar e temos metade da nossa vida encaixotada. Temos apenas o essencial. Não tenho cortinas, não tenho carpetes grandes e fofinhas, mas vive-se. Dei o meu toque pessoal para o tornar mais aconchegante e já estamos completamente adaptados ao barulho de fundo.

Daqui a um tempinho, nova mudança, desta feita para uma zona fora do centro, lá no alto de uma rua sem saída, onde o barulho será bem menor, mas onde não terei o conforto de descer e ter multibanco, padaria, mercearia, farmácia tudo ali nas ruas circundantes.
São muitas mudanças em pouco tempo, mas nós como sempre, adaptamos-nos e desta vez não será diferente. A ver vamos...

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Páscoa 2018 - Por cá! - Bolo de leite

Por vezes gostava de ser um polvo para ter muitos braços e conseguir fazer várias coisas ao mesmo tempo. Também gostava de ser um elefante, pois ao que parece eles teem boa memória e assim poderia ser que deixasse de ser tão despistada. Mas são tantas coisas acontecer ao mesmo tempo que será normal - digo eu - que alguma dessas tarefas sejam esquecidas pelo meio. Secalhar, o que eu precisava mesmo era de ser um falcão-peregrino para voar a alta velocidade e aí sim, poderia ser que as vinte e quatro horas fossem suficientes para tudo o que eu preciso de fazer. Se uns dias até são mais calmos, outros são bem caóticos, sempre com aquela sensação de estar sempre atrasada para tudo, mesmo que esse atraso sejam dez minutos - mas eu detesto chegar atrasada.


Posto isto, sou humana. Sou mulher. Sou mãe. Sou esposa. Sou trabalhadora dentro de casa. Sou trabalhadora fora de casa. Sou filha. Sou neta. Sou sobrinha. Sou amiga. Sou ouvinte. Sou 'psicóloga'. Sou desportista. Ou tento, vá. E tenho um blog de receitas. Que nem sempre está actualizado como queria. Nem com as fotos como deveriam ser. Nem com receitas mais complexas e temáticas, como gostava.  Mas, adoro andar por aqui na blogosfera e espero que vocês entendam, mesmo que não aprendam a cozinhar nada comigo - que também não é esse o meu objetivo, pelo menos que tirem daqui algumas ideias e que vos inspire  nas refeições do dia-a-dia. Na realidade, este meu cantinho, transmite verdadeiramente a minha essência. Cá em casa é tudo muito simples, com as refeições igualmente descomplicadas, mas tudo verdadeiro. E sim, talvez isso seja mesmo o mais importante. Sermos nós próprios, sem imitações. 

E porque nesta Páscoa não consegui comprar decoração nenhuma alusiva a esta época para a minha morada atual. Também não me foi possível fazer nenhuma receita tradicional. Mas, deixo-vos com uma receita de bolo de leite que fiz numa dia da passada semana, já muito tarde, que foi provado ainda quente e acompanhado de uma chávena de chá na varanda da sala no silêncio da noite. E soube tão bem. Um pequeno momento de relaxe, de felicidade, que é um balão de oxigénio para continuar no dia a seguir ao estado de stress em que nos encontramos.


Receita adaptada daqui

Ingredientes:

- 4 ovos
- 150gr. açúcar (usei amarelo)
- 180 gr. de farinha de aveia
- 80 gr. de farinha de linhaça dourada
- 200mL de leite (ou bebida vegetal)
- 20mL de azeite
- 1 colher de chá de fermento em pó
- Açúcar em pó e canela para polvilhar

Preparação:

- Numa taça colocar o açúcar e os ovos e misturar bem.

- Acrescentar depois os restantes ingredientes e bater bem com a batedeira até formar um creme homogéneo.

- Deitar o preparado numa forma untada e enfarinhada e levar ao forno a 180ºC durante 30 minutos até estar cozido (fazer o teste do palito).

- Retirar do forno, deixar arrefecer um pouco e desenformar.

- Polvilhar com açúcar em pó e canela (opcional).

- Servir.



sexta-feira, 30 de março de 2018

Páscoa 2018 - Sugestão de pratos salgados

E porque a vida não são só doces, e nós por cá somos apreciadores de comida de verdade e bons pratos salgados. Hoje, trago-vos algumas sugestões que podem ser do vosso agrado para esta época festiva.
Não vos trago receitas de leitão, de borrego nem de cabrito assado no forno (que tanto adoro), mas sim umas sugestões mais singelas, o habitual por aqui, mas nem por isso menos saborosas.

Como umas entradas para abrir o apetite sugiro:

Uma quiche de frango sem natas servida em fatias é sempre uma boa opção.
Quiche de frango sem natas
E porque não umas bolinhas de atum e grão-de-bico no forno? São saudáveis e desaparecem num instante. Porque tudo o que é servido em doses individuais faz sempre um brilharete.
Bolinhas de atum e grão-de-bico no forno

Umas favas salteadas com bife e bacon, apesar de obrigarem ao uso de faca e garfo, é uma sugestão tão gulosa, que não resisti em juntá-la à nossa mesa de Páscoa.
Favas salteadas com bife e bacon
No outro dia visitei um restaurante muito simples aqui perto, onde comi as melhores pataniscas de bacalhau que conheço. Estavam tão levezinhas, que parecia que estava a comer uma nuvem de  batata e bacalhau. Estas minhas são mais densas, mas garanto-vos que ficam muito boas e bonitas na mesa.
Pataniscas de bacalhau
E para terminar, servir umas tostas acompanhadas de um paté de atum e delícias do mar (sem maionese). E pronto, fica ou não fica o ramalhete bem composto com estas sugestões de entrada?
Paté de atum e delícias do mar (sem maionese)
Para pratos principais:

Começamos com uma caldeirada de lulas. Assim daquelas comidinhas de conforto que sabem tãooooo bem.
Caldeirada de lulas
Bacalhau com natas é aquele prato que quase toda a gente gosta. Que rende muito e dá relativamente pouco trabalho. É o fiel amigo e basta, não é preciso dizer mais nada.
Bacalhau com natas (c/ batata-frita)
E porque Páscoa não tem que ser sinónimo de comidas pesadas, podemos sempre continuar no registo diário e optar por uma comidinha saborosa e mais saudável. Por isso umas tiras de perú de cebolada c/ tomate ou apenas simples grelhadas, acompanhadas de um arroz branco com bróculos. Porque não?
Tiras de perú de cebolada e tomate
Carne de porco com castanhas, não rima apenas com Outono. Rima também com Primavera, ainda para mais uma Primavera tímida como esta. Cá em casa é uma refeição que gostamos muito e que ultimamente tenho substituido a carne de porco por frango ou perú, que fica igualmente saborosa. Experimentem!
Carne de porco com castanhas

segunda-feira, 26 de março de 2018

Páscoa 2018 - Sugestão de pratos doces

Na nossa mesa de Páscoa não podem faltar os docinhos. Uns mais tradicionais, outros menos típicos desta época, mas nem por isso menos saborosos.
Por cá, não temos a tradição do folar, mas pão-de-ló, cocos e doces amarelos e brancos não podem faltar na nossa mesa.
O que vos trago hoje, não são receitas tradicionais de doces de Páscoa, mas sim outras receitas igualmente docinhas que seleccionei para vós e que com toda a certeza ficariam bem nas vossas mesas por estes dias.

Espero que gostem!

Cá em casa, seja qual for a festa tem que ter na mesa um pudim. Deixo-vos a sugestão deste pudim de pão que fica sempre alto, brilhante e muito saboroso.

Pudim de pão
Um bolo/tarte de morango é um doce que convém ser servido fresco. É um bolo maravilhoso e que combina com Primavera, estação que se inicia e dá cor e alegria a uma mesa de Páscoa.

Bolo/tarte de morango
Para quem não é apreciador de pão-de-ló, mas gosta daquele típico bolo de chá. Esta é uma boa sugestão para este dia festivo. Um bolo que pode ser servido simples ou então deem-lhe um upgrade como eu fiz, com uma cobertura de leite condensado.

Bolo simples com cobertura de leite condensado
E porque as sobremesas em formas individuais fazem sempre sucesso e desaparecem num instante, nada melhor que acrescentar à mesa umas queijadinhas de iogurte. Mas o melhor é dobrar a receita se as visitas forem muitas. Todos vão querer provar uma.

Queijadinhas de iogurte
Umas bolachinhas caseiras para acompanhar o café é uma sugestão muito bem-vinda por estes lados. Não só na Páscoa mas sempre que nos apetecer um doce e já agora, para contrastar com o amargo típico (mas tão bom) do café. Estas de coco e gengibre também teem aquele travozinho picante o que as tornam bem saborosas para serem degustadas neste dia de Páscoa.

Bolachas de coco e gengibre

E finalmente, deixo-vos como sugestão uma sobremesa com fruta mas igualmente doce. Porque o tempo ainda vai ameno e ainda sabe bem comer umas maçãs assadas no forno quentinhas

Maçãs assadas no forno

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Pedaços de mim #4 - Eu, nos dias de hoje

Quando fechas os olhos, pensas em ti, na tua própria existência e fazes um flashback mental da tua vida até aos dias de hoje (se nunca fizeram isso, experimentem. Tirem um bocadinho do vosso tempo, fechem os olhos e concentrem-se na vossa pessoa) o que mudavas? O que farias de diferente? O que terias feito da mesma forma? E o que decididamente terias riscado da tua memória e dos teus acontecimentos passados?
Pessoalmente e até ao momento presente, quando faço esse rewiew, mudava uma coisa. Tinha feito uma coisa que eu queria muito, mesmo muito e que na altura não tive a coragem de levar avante. Não a vou mencionar aqui por ser demasiado pessoal, mas é o meu único ponto de dor na alma até aos dias de hoje. Pequeno ponto, por sinal e que raramente penso nele, mas de vez em quando dá o ar de sua graça e inunda-me os pensamentos. Entrei nos trinta. Já vivi tanto. E vivi tão pouco ainda. Tenho uma união muito grande com os meus mais chegados. Somos um núcleo pequeno, mas uma família grande. Não estamos juntos todos os dias, mas quando um de nós está mal, no mesmo instante a notícia espalha-se e ficamos todos a saber uns dos outros. Quer do lado paterno, quer do materno. Não sou enfermeira, como pensei que seria. Fui uma quase-enfermeira. Tal como o meu pai. Genes, será? O amor tem destas coisas. Enamoramo-nos, sempre fomos duas pessoas cheias de sonhos e objetivos e isso sobrepôs-se ao desejo de continuar os estudos. Não me arrependo. Gosto das escolhas que fiz. Em criança fui feliz. Em jovem essa felicidade continuou. Quando casei aumentou. E quando tive o meu filho transbordou e ultrapassou tudo o que conhecia até então. Considero-me uma sortuda. A vida tem-me corrido bem e as minhas escolhas teem sido acertadas. Talvez porque passo por um processo em pensamento de objetivos e planos. E posteriormente é que passo à ação. Sou uma pessoa  razão-coração. Se por um lado tento ter os pés bem assentes e tenho um lado racional muito presente. Ao mesmo tempo sou sonhos e coração e quando dou por mim ando lá no alto a flutuar e a sonhar com tanta, tanta coisa. Não sei se é bom ou mau. Mas esta sou eu.

Se mudava alguma coisa na minha personalidade e até nas minhas escolhas e no meu percurso até ao presente? Claro que sim, quem não? Mas o importante mesmo é sabermos lidar connosco mesmos e com o meio envolvente e conseguirmos estar de bem com a vida... Sorrir para a vida e sermos gratos. Se assim for... mais tarde ou mais cedo, ela sorri de volta! Quero acreditar que sim.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Pedaços de mim #3 - A minha história de amor (3ª parte)

(...) O tempo amolece até o mais duro dos corações.

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Passou um ano e meio. E por esses dias, recebi uma sms de uma amiga, dizendo que haveria um jantar-reencontro da nossa turma de 9º ano. Tínhamos-nos separado quase todos. Muito reticente, mas lá fui. E quando cheguei, lá estavas tu. E um lugar vago à tua frente. Agora penso se não terá sido de propósito. Sentei-me e pouco falamos. Começamos o jantar e pedi uma cerveja. E depois pedi outra. Precisava de beber. Naquela época não se aplicava lá muito a regra de não servir álcool aos menores de idade em restaurantes. Eu, que nunca bebia álcool.  Mas eras demais para mim. Voltou tudo outra vez. Porquê? Eu já te tinha esquecido. E agora estavas ali, mesmo à minha frente e sorrias. E o meu coração voltou a bater descompassado. Então precisava de outra cerveja. E outra. Não me lembro de quantas bebi, mas sei que quando me levantei sentia-me tonta e cambaleante. E tu agarraste-me. E saímos do restaurante abraçados. Eu não estava bêbeda, estava alegre e ria-me imenso. E tu rias-te. E rimo-nos os dois. E fomos passear ao ar livre. Juntos. Paramos no sitio onde namoramos tantas vezes, no jardim em frente à Câmara Municipal e sentamos-nos na relva. Estava escuro. Não me lembra se havia estrelas no céu, mas eu sentia-me iluminada por dentro como à muito não sentia. E falamos muito, sobre o que tinham sido as nossas vidas desde que nos deixamos de ver. E o meu telemóvel tocou. Já era meia-noite. Já? Passou tão rápido. O meu pai já estava à minha espera. Queria tanto ficar contigo. Despedimos-nos. Eu dei-te um beijo na cara. E tu deste-me um beijo nos lábios. Como é que te atreveste? Mas eu deixei. E retribuí. E depois demos outro e mais outro. E o meu telemóvel tornou a tocar. E eu fui embora. Nessa noite, já em casa, combinamos um encontro para o dia seguinte, para falarmos melhor do que tinha acontecido. Querias namorar comigo. E eu não queria. Pediste-me desculpa. Disseste que estavas mais maduro e mais velho... A sério? Só passou um ano e meio, embora eu achasse que passou uma vida inteira. E não aceitei o teu pedido. E assim continuamos amigos durante mais um tempo. Voltamos ao nosso cantinho para jogar snooker, íamos tomar café juntos. Voltamos a estar com alguns dos nossos amigos em comum. Trabalhavas de noite numa padaria e dormias de dia. E deixaste de dormir muitos dias só para estar comigo. Vinhas a pé de casa e eu contava os minutos que faltavam para acabar as aulas e ir ter contigo. Ias trabalhar de noite com duas horas de sono e entupido de cafés para te manter acordado. Falávamos imenso. Sobre tudo. Sobre a vida. E dos planos que tínhamos para a vida. E percebemos que alguns dos planos eram parecidos. E começamos a fazer planos em comum. A traçar objectivos em comum. E estávamos sempre juntos. Para todo o lado. Mas não namorávamos. Até ao dia vinte e um de Maio. Nessa tarde, levaste-me ao parque. Mandaste-me subir a um banco de jardim e pediste-me em namoro. Estavas com uma cara séria e aquilo que dizias era sentido. E eu aceitei. Já o tinha aceitado muito antes de te ter dito que sim. Nesse dia à noite mandaste-me uma sms a dizer 'Hoje, foi um dia muito feliz para mim... Começamos a namorar... E o F.C.Porto ganhou a taça Uefa'. E eu percebi. Não era a típica declaração de amor que eu esperava, comparar-me a um sentimento pelo teu clube de futebol. E eu sei o quanto adoras futebol. Mas percebi, que entre nós não havia artificialismos, como até hoje não os há. Que somos crus, que somos diferentes, por vezes tão diferentes, e noutras tão iguais. Começamos a namorar no dia vinte e um de Maio de dois mil e três... até hoje!


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Pedaços de mim #2 - A minha história de amor (2ª parte)

(...) Tu desististe da escola. Começaste a trabalhar e eu continuei a estudar no mesmo liceu. O nosso liceu. Foi doloroso o regresso depois daquele Verão. Não te tinha nos nossos intervalos, não tinha as nossas conversas. Fiz novos amigos e desliguei-me de quase todos os amigos antigos. Os nossos amigos em comum. Fomos um para cada lado. Deixei de te ver, mas a vida continua. E eu sou forte. E decidida. As minhas aulas continuavam e eu andava em ciências que tanto gostava. A Química e Biologia que eu adorava distraíam-me, adormeciam uma parte de mim destroçada. Até que numa Quarta-feira, num dos intervalos no liceu, saí do bloco B e lá estavas tu à minha frente. Encostado ao muro com aquela camisa azul e vermelha aos quadrados que eu tanto gostava. Queria esconder-me. Acho que deixei de saber pôr um pé à frente do outro e simplesmente andar. As minhas pernas estavam sem forças. Não sabia se havia de andar para a frente ou para trás e congelei. Estarias lá para mim? Para pedires desculpa? Para dizeres que me amavas, que foste um idiota e que querias voltar para mim? Rapidamente percebi que não. Porque vejo uma rapariga a sair do bloco e a dirigir-se a ti. Beijou-te e foste embora de mão dada com ela. E assim continuou. Todas as Quartas lá estavas tu no mesmo muro à espera dela. E eu assistia. Gostava de vos ver juntos. Parecia sentir prazer na dor de olhar para ti com ela. Mórbido, talvez. Percebi que tinha acabado. Tinha mesmo acabado e era real. Então fiz aquilo que posteriormente vim a descobrir que é o pior que se pode fazer. Comecei a namorar com um amigo. Para te esquecer. E ele gostava tanto de mim e eu tentava gostar dele da mesma forma. Mas não conseguia. Tentei com todas as minhas forças apaixonar-me por ele. E não consegui. E perdi aquele amigo. E comecei de seguida a namorar com um rapaz mais velho que eu. Sempre fui uma boa aluna e uma adolescente com juízo. Ao menos isso. Sabia bem aquilo que queria e não queria aquilo para mim. Era errado. E acabei com ele. E fiquei sozinha. Com poucos amigos. Por culpa minha. Mas era nova, tinha uma família maravilhosa e uma vida inteira pela frente. Não haveria de ficar solteira para sempre. Concentrei-me nos estudos e decidi que queria seguir enfermagem. Deixei de te ver às Quartas. Soube que tu já não namoravas. Mas não falamos. Nunca mais te vi. Nunca mais nos vimos. E assim se passou um ano e meio. (continua...)

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Pedaços de mim #1 - A minha história de amor (1ª parte)

Hoje não vos trago uma receita como de costume. Hoje trago-vos um conto. Real. Talvez este meu regresso traga umas novidades fora do habitual, intercalando assim com os de receitas, isto claro, se vocês gostarem de os ler. E hoje começa logo em grande, com o amor em destaque.

Quem não gosta de uma boa história de amor? Eu gosto. Daquelas reais, por vezes bem dolorosas e cheias de adversidades mas que nos deixam arrepiadas e com desejo de saber mais e mais. Não sei se a minha história de amor, será dessas arrebatadoras, mas para mim é. Para mim é A mais bonita história de amor de todos os tempos. Porque é minha, porque a vivenciei e porque perdura no tempo, pelo menos até hoje. O amanhã, não sei. Ninguém sabe e esta incógnita da vida é o que nos faz continuar a lutar todos os dias lado a lado.

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Conheci-te na adolescência. Reprovaste de ano e calhaste na minha turma. Eu namorava com o teu primo. E tu eras muito namoradeiro. Não te achava piada nenhuma. Achava-te arrogante e cheio de manias. Posso até dizer que te detestava. Mas fomos-nos conhecendo melhor e tornamos-nos amigos. Muito amigos. Estávamos sempre juntos. Dentro e fora da escola. Conversávamos tanto. Sobre tudo e mais alguma coisa. Faltamos a algumas aulas para ir jogar snooker. E tu tinhas o carteiro comprado para as cartas da escola não serem entregues em casa a não ser a ti pessoalmente. Puxaste-me a cadeira e eu caí ao chão numa aula de Geografia e foste expulso. E levaste uma falta disciplinar. E eu tive pena de ti. Mas ri-me. Rimo-nos os dois. Rimo-nos até aos dias de hoje. Eu e o teu primo terminamos. Tu continuaste a ter as tuas amigas coloridas, até que começaste a namorar com uma das minhas melhores amigas. Mas continuávamos amigos. E próximos. Cada vez mais próximos. Ela ficou doente, faltou à escola durante três dias e num desses dias, num intervalo, atrás do bloco C sentados frente a frente no chão, ficamos próximos. Cada vez mais próximos. As nossas cabeças balançavam para a frente e para trás como quem quer uma coisa mas sabe que não a pode ter. Que era errado. O coração acelerado. As mãos suadas. E beijamos-nos. Um beijo demorado e lento. O nosso primeiro beijo. Quente. Proibido. Não podia ser. Éramos só amigos. E chegamos atrasados à aula de Inglês e a professora envergonhou-nos em frente à turma toda. A tua namorada e minha amiga regressou. Mas tu já eras meu. Ela já o sabia e mesmo assim continuou a ser minha amiga, nossa amiga. Os nossos amigos já o sabiam. Mas como é que toda a gente já sabia antes de nós? Transparecíamos assim tanto desejo, cumplicidade e paixão nos nossos olhares? Fomos felizes naquele namoro. Felizes e desprovidos de qualquer responsabilidade, típica da adolescência. Mas aquele 9º ano acabou e com ele acabou a nossa curta história de amor. Disseste que eras novo demais para um namoro à séria e abandonaste-me na central de camionagem. Chorei, chorei muito. Chorei aquele Verão todo. Joguei playstation naquele Verão equivalente à minha vida toda. Fechada no quarto. A minha primeira desilusão amorosa. Seria isto o verdadeiro amor? Será que nunca mais me iria apaixonar na vida? Nunca mais iria sentir o coração a bater descompassado e o rubor na minha cara de vergonha e paixão ao mesmo tempo? Estava despedaçada. Já te disse que passei aquele Verão todo a chorar? (continua...)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Olá! Voltei...

...Quase um ano depois do último post, achei que seria uma boa fase para regressar a este meu cantinho e às receitas habituais. Esta pausa não foi premeditada, simplesmente aconteceu, mas acho que precisava disto para me focar noutras coisas que precisavam da minha atenção.

Muitas coisas aconteceram na minha vida desde então. Mudei de casa. Tive 30 dias para encontrar um novo sítio para morar. Tenho ainda metade da minha vida encaixotada. Daqui a um ano nova mudança de morada. Fiquei sem máquina fotográfica. O meu telemóvel avariou. Comprei um telemóvel melhorzito para tirar umas fotos. Continuo a cozinhar todos os dias. Não tiro fotos ao que cozinho. Tenho feito menos receitas doces. Não faço um pudim à mais de 4 meses. A minha ansiedade atingiu os píncaros. Comecei a praticar exercício regular para ajudar na minha ansiedade. Tem resultado. Fiz trails. Participei em São Silvestres. Corri sozinha. Corri acompanhada. Fiz amigos. Pensava que já estava velha demais para fazer novos amigos. Descobri que afinal, não. Mantive alguns. Eliminei outros. Continuo com o mesmo peso. Não engordo e não emagreço. Há dias em que me olho ao espelho e não gosto do que vejo. As rugas apareceram e não saem. Dizem que é de me estar sempre a rir. Sinto-me quase todos os dias uma adolescente cheia de sonhos. Mas olho para as responsabilidades em cima dos meus ombros e percebo que não. Uns dias sinto-me super feliz e super realizada. Noutros sinto-me miserável e de costas voltadas para a vida. Nuns dias agradeço por tudo o que de bom tem sido a minha vida e a dos meus. Noutros choro porque ainda me sinto incompleta. O meu filho esta semana faz seis anos. Já poderia ter outro de três. Foi melhor assim. Somos só os três em casa. Não sei se alguma vez seremos quatro. Ou cinco. As voltas que a vida dá. Somos felizes. Mas cheios de imperfeições. A nossa casa é barulhenta. Dizem que o amor faz barulho, mas não incomoda. Afinal incomoda. Porque a minha vizinha veio cá a casa queixar-se. Conheço cada vez mais pedacinhos do meu país. Um país pequeno mas com tanto para descobrir. Não viajei para fora. Mas tenho uma lista de países a visitar antes de morrer. E de restaurantes a visitar antes de morrer. E de milhentas experiências que quero vivenciar antes de morrer. Tenho tanto para fazer antes de morrer. Não perdi ninguém que me é chegado. Mas fui uma vez à capela mortuária. Continuo a não saber lidar com a morte. Continuo a não saber o que dizer nessas situações. Continuo a fingir que não existe. Mas existe. E espreita. E um dia calha-me a mim e aos meus. Não estou preparada. Vou continuar a assobiar para o ar. Pode ser que ela se esqueça de mim. O meu jeito para a escrita não melhorou. Mas gosto disto. Do blog. Do que acrescenta à minha vida. Da interacção. Da partilha. As minhas receitas continuam básicas. Às vezes os meus queixam-se da minha comida. Está insossa. Está salgada. Devia ter cozinhado mais tempo. Não gostam do aspecto. Não é a comida perfeita. Mas eu não sou perfeita. A minha vida não é perfeita. E não é, que afinal, isto tem graça é ser assim mesmo?

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Adeus, 2016. Bem-vindo, 2017.

Foram risos e gargalhadas. Foram rabanadas, aletria, sopas secas e outras doçarias. Foram batatas com bacalhau, cabrito e as receitas natalícias do costume. Foram festejos de meia-noite, doze uvas passas e pedidos de desejos. Foram pés quentinhos à lareira. Foram trocas de prendas, beijos e abraços. Foram convívios, serões e conversas até a garganta doer.

E não é que já passou? Finda um ano, começa outro e cá continuamos nós neste ciclo que são os doze meses do ano.

Espero que desse lado as festas tenham corrido pelo melhor e que 2017 esteja carregadinho de coisas boas para vocês.

Eu por cá, não sendo pessoa de listas e planos anuais, vou fazendo como sempre o fiz. Pedindo desejos e traçando os meus objectivos à medida que os dias passam.






sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Natal 2016.

O Natal está mesmo aí a espreitar... E eu, que tenho andado um bocadinho desaparecida deste mundo blogosférico, só cá vim para vos desejar umas Boas Festas. Que os sentimentos de fraternidade e de bondade para com os outros perdurem no tempo e não apenas nestes dias tão característicos. Que a vossa mesa se encha de calor humano, de risos, alegria e comidinhas boas. Que a vossa casa se ilumine para o Espírito Natalício e que o Pai Natal deixe no vosso sapatinho tudo o que pediram de bens materiais e imateriais. Eu por cá, estou ocupada a tentar ser feliz, hoje e sempre. Façam o mesmo ;-)

Até breve!










terça-feira, 25 de outubro de 2016

Fora da cozinha #12

Hoje trago-vos alguns detalhes decorativos de uma quinta de casamentos onde estive recentemente. Achei giríssimos alguns apontamentos e porquê guardá-los só para mim no álbum das fotos se posso partilhar convosco?

Espero que gostem!


No jardim com sítios muito bonitos para os convidados tirarem muitas fotos:




Eu :-) Pormenores...




Num 'Bar' com um estilo vintage tãaaaaao lindo:

Estive um bom tempo lá dentro apreciar os pormenores todos e a fotografar.

Vamos entrar?





Decididamente, não tenho pose de modelo... Tenho que treinar!



Mais uns recantos com decorações interessantes:

Adoro esta cómoda




Num outro espaço interior dentro da quinta: